Rod Davidson (Aberdeen Standard Investments): “Vemos na alocação a dívida corporativa de mercados emergentes uma jogada certeira a longo prazo”


Ao falar em novas classes de ativos o nosso pensamento é rapidamente encaminhado para criptomoedas e outras alternativas exóticas. Contudo, a emancipação de novos veículos de investimento não fica confinada apenas ao desenvolvimento tecnológico. Por vezes, estes podem surgir de mutações de outras classes de ativos já bem estabelecidas. Para Rod Davidson, head of Fixed Income Investments Specialists na Aberdeen Standard Investments, os mercados emergentes, na ótica do investimento em obrigações a longo prazo, são um exemplo perfeito.

“Os mercados emergentes, na perspetiva das obrigações, desenvolveram-se imenso como parte da classe de ativos nos últimos 20 anos. Agora são como uma classe de ativos dentro de uma classe de ativos, pois existem muitas variações diferentes: fundos mistos, soberanos, corporativos, em moeda local, em moeda forte, estratégias domésticas... Enfim, uma gama vasta de estratégias dentro da classe”, enquadra o gestor. 

É neste contexto que se posiciona o Aberdeen Standard Emerging Markets Corporate Bond Fund, uma estratégia de investimento em dívida corporativa de mercados emergentes, galardoada com o Selo Funds People 2020 pelas classificações de Blockbuster e Consistente. Uma particularidade interessante deste produto é o facto de ser um fundo em hard currency (moeda forte), o que associado a uma yield acima da média ajuda a justificar a classificação de Consistente obtida. “A questão de ser um fundo de moeda forte é a contenção da volatilidade”, explica Rod Davidson. “Nos últimos anos, ao investirem em fundos de ações de mercados emergentes, os investidores, ainda que não se tenham apercebido, ficaram expostos a muito risco associado às divisas locais; nestes casos, a volatilidade pode chegar a ser quatro vezes superior à da nossa estratégia”, contrasta.

Mercados globais, equipa global

Porém, os desafios do investimento em mercados emergentes não se resumem, somente, ao risco de divisa. “A grande questão em torno da gestão de carteiras de crédito é a necessidade de ter analistas e profissionais em várias localizações”, comenta Rod Davidson. “Temos profissionais em Singapura, Austrália, nos Estados Unidos da América e várias partes da Ásia, incluindo China, Hong Kong e Tailândia; não conseguiríamos fazer o nosso trabalho sem um núcleo duro como este”, assume.

Por cima desta sólida rede mundial assenta o processo de investimento, “que consiste numa visão estruturada de todo o crédito, adaptando-se subtilmente aos mercados locais, com uma compreensão a fundo dos fundamentais financeiros, avaliações e dos emissores, e sempre com uma perspetiva de futuro naquilo que pode vir a influenciar o spread de crédito nos anos vindouros”. Rod Davidson acrescenta ainda que “todos os analistas têm de atribuir uma classificação ESG a cada emissão. Por isso, até mesmo no mundo emergente tentamos arranjar formas de analisar crédito de uma perspetiva ESG”.

Olhar para lá do que se vê

Tal como em qualquer classe de ativos, a dívida de mercados emergentes também enfrenta uma dose de desafios acima do normal face às atuais circunstâncias do mercado. Segundo Rod Davidson, hoje existem “duas ameaças principais aos investidores: a falta de liquidez nos mercados de obrigações e a eventualidade crescente de uma recessão”, resultando num nervosismo acrescido dos investidores e levando a que muito liquidem as suas posições. “A normalidade na liquidez e nas avaliações irá regressar, mas até lá teremos algumas semanas de incerteza pela frente”, prevê.

Também o Emerging Markets Corporate Bond Fund não tem sido imune a estas turbulências, tendo sido afetado por um desempenho menos atrativo nas últimas semanas, acompanhado por um volume de resgates fora do habitual. Contudo, o tom do gestor da casa escocesa é esperançoso. Baseando-se no facto de que “os gestores de fundos estão agora a observar yields em obrigações que não se encontravam disponíveis desde 2008”, Rod Davidson relembra que “para os investidores que consigam olhar para além desta agitação estes níveis oferecem excelentes oportunidades de investimento”.

“A nossa convicção na classe de ativos mantém-me inalterada, e quando a normalidade regressar os investidores vão poder desfrutar novamente de retornos positivos consistentes. A longo prazo, este será um segmento do mercado muito interessante, pelo que vemos na alocação a dívida corporativa de mercados emergentes uma jogada certeira”, sentencia.

 
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