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Risco versus retorno. E a liquidez não é importante?


Quando se analisa um investimento, seja em ativos financeiros ou em ativos reais, deve ter-se em conta três variáveis e não apenas as duas habitualmente referenciadas em muitos manuais académicos (risco e retorno).

Essa terceira variável é a liquidez, muito importante quer em momentos positivos da economia e dos mercados como em períodos negativos.

Neste momento, os mercados acionistas estão em máximos (EUA e Europa), as yields das obrigações estão em mínimos ou perto deles e os spreads de risco de crédito medidos pelos índices iTraxx e Xover consoante o rating dos emitentes estão em mínimos ou perto deles. Por isso, a variável liquidez ganha estatuto em duas vertentes: o refúgio e a oportunidade.

Neste cenário dos mercados, os investidores têm de diversificar os seus portfólios, nomeadamente com alocações nos chamados investimentos alternativos como por exemplo o imobiliário, as commodities, a arte, entre outros, e têm que estar atentos ao fator liquidez.

A liquidez dos ativos é preponderante quando se quer vender rapidamente e quando se deseja comprar. Possuir ativos líquidos significa menos volatilidade de preço e mais facilidade de transação. A pouca liquidez de um ativo constitui um fator de risco, especialmente em carteiras de investimento onde os ativos pouco líquidos têm peso.       

Por outro lado, em alturas do mercado como a que vivemos, não estar totalmente exposto isto é possuir alguma liquidez, pode significar uma excelente oportunidade em momentos de tomada de mais-valias por parte dos investidores, ou pura e simplesmente funcionar como almofada de amortecimento da desvalorização dos ativos. Num país de investidores conservadores como o nosso a liquidez ganha relevância.

Outra questão em redor deste tema tem sido o enorme fluxo de liquidez injetado pelos bancos centrais nos últimos anos, assente nos programas de compra de títulos iniciado em 2010 nos EUA e continuado no Reino Unido, na China, no Japão e na Zona Euro.

Muito se tem falado sobre o verdadeiro e positivo impacto destes programas no crescimento económico. Mas também se pode colocar a questão noutro ângulo: onde estariam as economias se esses programas não tivessem acontecido? Onde estaria a confiança dos agentes económicos incluindo a dos investidores?

Será que esta repressão financeira vai fazer aparecer de repente o “monstro” da inflação e fazer disparar as taxas de juro e fazer cair os preços dos ativos de risco? Será que não estamos já a viver uma bolha de liquidez? Espero que os bancos centrais saibam agir com tempo, peso e medida aos sinais de eventuais pressões inflacionistas que venham a ocorrer, caso contrário, tenho que concordar com um amigo meu que há dias me disse: a próxima crise vai ser pior que esta. Oxalá que ele esteja enganado!

 

(imagem: Don McCullough, Flickr, Creative Commons)