Richard Mulley (Goldman Sachs AM): “Esperamos que os bancos centrais adotem uma política acomodatícia durante o resto do ano”


O Goldman Sachs Euro Short Duration Bond Plus é um fundo de obrigações europeias de curta duração que este ano ostenta o Selo FundsPeople, com a classificação de Consistente. Gerido por Richard Mulley e Jacqueline Leary, o produto está a cargo da equipa de Liquidity & Short Duration da Goldman Sachs AM, com mais de 26 anos de experiência e 86.000 milhões de euros de património sob gestão exclusivamente em dívida de curta duração. A categoria de liquidez é de 364.000 milhões. São uma das maiores gestoras do mundo neste segmento. O fundo, que conta com 350 milhões em ativos, aparece situado entre os produtos com melhor rentabilidade do seu universo, com a vantagem de ter uma yield positiva.

Segundo Mulley, o contexto para este tipo de estratégias é muito propício. “Esperamos que os bancos centrais adotem uma política acomodatícia durante o resto de 2020, o que servirá de apoio para o comportamento dos fundos de obrigações de curto prazo face aos fundos monetários ou os depósitos. Acreditamos que o BCE não vai atuar de uma forma tão agressiva como outros bancos centrais devido ao facto de ter uma margem de manobra mais limitada. Na nossa opinião, o BCE vai aumentar o seu programa de compras de ativos e de financiamento a empresas que possam estar a sofrer dificuldades económicas como consequência do coronavírus”. Algo que acabou por fazer esta quinta-feira.

Na equipa continuam a focar-se em obter um carry atrativo (a yield é de +0,15%) com uma posição sobreponderada no sector de crédito corporativo com investment grade. “Os spreads no mercado de 1-3 anos aumentaram em 15 pontos base este ano como consequência da volatilidade causada pelo coronavírus”, afirma.

Para o resto de 2020, os gestores veem potencial para compressão nos spreads, quando a incerteza sobre o coronavírus se dissipar. Além disso, o programa de compra de obrigações do BCE deverá continuar a ser positivo para os ativos europeus. “A nossa expectativa é de que a volatilidade se vai manter a curto prazo. Não obstante, vemos as avaliações atrativas nos níveis atuais e vamos aproveitar esta correção para aumentar as nossas exposições. Não houve mudanças significativas na nossa alocação de risco durante este período”, indica Mulley.

O objetivo do fundo é gerar ganhos ao investir principalmente em valores de curta duração denominados em euros com investment grade. O rating médio da carteira é de A-. A duração de todos os ativos é, de modo geral, menor de dois anos. Costuma mover-se entre um e dois. Tem a capacidade de conseguir um maior rendimento no mercado monetário em euros mantendo a liquidez. Ao tratar-se de um fundo de curta duração tem maior sensibilidade às taxas de juro e potencialmente uma menor volatilidade que estratégias de mais longa duração.

“O fundo é uma boa solução para os investidores que queiram ter o dinheiro em ativos de menor risco, e também para os que estão no mercado monetário em euros devido às taxas negativas”, assegura Mulley.

Os gestores investem em sectores de obrigações incluindo obrigações corporativas com investment grade, titularizados, governamentais, cuasi governamentais com possibilidade de alocar até 10% em high yield e dívida emergente.

A abordagem de investimento é de equipa e combina a visão top-down das equipas macro que tomam decisões sobre a alocação a duração, país ou divisa com a abordagem bottom-up das equipas que selecionam as obrigações dentro de cada um dos sectores: governamental, corporativo, dívida emergente ou titularizados. Os gestores estão encarregues de estabelecer e monitorizar o orçamento de risco que é o ponto de referência de cada uma das equipas anteriores no momento de tomar decisões

“O que nos torna diferentes é que adotamos uma abordagem de investimento de equipa. Contamos com mais de 290 profissionais especializados na geração de ideias, análise fundamental e estratégias macro. Os gestores confiam nos especialistas dos diferentes sectores no momento de gerar as suas melhores ideias. Seguimos uma análise rigorosa na seleção de obrigações corporativas, tratando sempre de manter posições individuais abaixo dos 2,5% para manter uma carteira diversificada e ajustada ao risco”, conclui Mulley.

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