Ricardo Duarte Silva (CAGest): “Os setores tecnológico e de healthcare foram dois dos vencedores do mundo pós-pandemia”


Depois de um segundo trimestre que se antecipa de quedas abruptas da atividade económica a nível global, deveremos ter um segundo semestre de recuperação. A magnitude dessa recuperação vai contudo depender de um conjunto de variáveis difíceis de antecipar (sucesso do desconfinamento e evolução da pandemia nas diferentes geografias). Os estímulos fiscais e monetários avançados nas principais economias são significativos e deverão contribuir para alguma “tração”, mas o resultado em termos de crescimento económico ficará sempre marcado pelo sucesso no regresso à “normalidade”. Será igualmente importante monitorar eventuais alterações comportamentais (taxa de poupança, menor procura por determinados serviços no curto/médio prazo).

Nesta envolvente de grande incerteza, as obrigações deverão permanecer suportadas pela promessa de novos estímulos e de juros baixos por parte dos principais bancos centrais. Nas ações, o sentimento tem permanecido igualmente construtivo apesar das avaliações estarem agora dispendiosas, praticamente incorporando uma recuperação em “V” das economias e resultados empresariais. Na nossa visão, o “rally” dos ativos de risco, que acelerou no início de junho, deverá ser visto com alguma cautela por parte dos investidores.

Os riscos que monitorizamos são a evolução da pandemia nas diferentes geografias (Brasil, Rússia e Índia apresentam ainda muitos casos numa base diária) e a velocidade da recuperação dos indicadores macroeconómicos nos próximos meses (atendendo à expectativa depositada no último mês muitos dos ativos de risco estão “priced for perfection”).

Sem individualizar um produto específico, cremos que uma alocação diversificada às diferentes classes de ativos poderá funcionar na atual conjuntura. Nessa lógica, um fundo misto seria provavelmente o mais apropriado (na nossa perspetiva um fundo sem uma exposição material a ações talvez fizesse mais sentido).

Neste momento, os setores tecnológico e de “healthcare” foram dois dos vencedores do mundo pós-pandemia. São por isso temas a manter no radar num mundo ainda longe do “normal”.

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