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Ricardo Duarte Silva (CA Gest): "Cremos que será prudente pressupor que o segundo semestre será mais volátil"


(Perspetivas para a segunda metade de 2019, traçadas por Ricardo Duarte Silva, da Crédito Agrícola Gest)

O que esperam de cada uma das principais economias no ano de 2019?

Os indicadores mais recentes têm confirmado uma desaceleração sincronizada dos principais blocos económicos a que acresce a incerteza induzida pelo clima de guerra comercial imposto pelos EUA. Nesta envolvente, antecipa-se um desempenho económico frágil na segunda metade do ano que será potencialmente mitigado por políticas monetárias mais acomodatícias por parte dos maiores bancos centrais (FED deverá cortar taxa de referência / Zona Euro com um eventual corte da taxa de depósito e promessa de “QE” num cenário de deterioração do contexto macro). No caso da China, acresce uma política fiscal mais expansionista e uma inversão na intenção governamental de restringir a concessão de crédito.


Quais as classes de ativos melhor posicionadas para uma boa performance no segundo semestre?

Com as classes de ativos tradicionais a finalizarem os primeiros seis meses do ano com ganhos significativos, o segundo semestre promete ser mais tático. As ações, apesar de mais interessantes em termos relativos face às obrigações, tiveram o seu desempenho alicerçado na promessa de ação por parte dos principais bancos centrais. Isto significa que podemos antecipar uma maior correlação do que seria de esperar entre ações e obrigações, atendendo a que o “driver” de performance será o mesmo. De facto, a revisão em baixa de projeções para os resultados empresariais ou o corte de estimativas económicas por parte do FMI não impediram que grande parte dos mercados bolsistas terminasse o primeiro semestre com valorizações de duplo digito.

 
Que riscos monitorizam por esta altura com maior preocupação e porquê?

O risco de mercado tem estado artificialmente baixo, o que se explica pela promessa de maior suporte monetário por parte dos principais bancos centrais. Cremos que será prudente pressupor que o segundo semestre será mais volátil, uma vez que o mercado já incorporou uma maior proatividade em termos de cortes de taxas de juro do que aquela que os bancos centrais poderão eventualmente endereçar. Potenciais sinais de estabilização da envolvente macroeconómica, significando bancos centrais menos “dovish”, poderão curiosamente justificar pior desempenho dos activos de risco e maior volatilidade. Da mesma forma, a guerra comercial movida pelos EUA contra a China e restantes parceiros comerciais, apesar da trégua decretada recentemente na cimeira do G20 em Osaka, está longe de ser um tema encerrado.


 Qual o fundo de investimento que recomendam para o segundo semestre de 2019 e porquê?
Um fundo que gostamos é o Legg Mason – Western Asset Macro Opportunities Bond Fund1, um fundo que investe em todo o espectro de obrigações mas incutindo-lhe uma lógica de retorno absoluto. O recurso a derivados permite-lhe também montar apostas relativas entre curvas de rendimento e beneficiar de alterações diferenciadas das estruturas temporais de taxas de juro. Uma parte importante da carteira encontra-se também investida em dívida de mercados emergentes, universo este que beneficia de um “carry” interessante, atendendo em particular ao atual contexto de taxas baixas na Europa.


Quais os temas onde procuram alternativas de investimento?

No segmento de investimentos alternativos, gostamos de temas que apresentem alguma descorrelação com as nossas carteiras e que apresentem um binómio rendibilidade/risco interessante (os “breakevens” da inflação, a título exemplificativo, recuaram significativamente desde o início do ano com os receios de abrandamento económico e com o espetro de uma guerra comercial à escala global. Uma eventual estabilização da envolvente macroeconómica poderia ajudar a promover uma normalização dessas baixas expectativas quanto à inflação).

1 Fundo com selo Blockbuster Funds People 

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