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República Portuguesa realiza operação de troca de dívida


Numa operação de troca de dívida realizada por parte do IGCP, o Estado português esteve comprador de dívida antiga, com maturidade para 2019 e 2020, tendo, ao mesmo tempo, realizado duas novas emissões de Obrigações do Tesouro com data de vencimento em 2022 e 2027. O montante emitido em Obrigações do Tesouro estava dependente das ordens de intenção de troca. Como tal, os montantes globais emitidos correspondem aos montantes globais comprados.

Dito isto, foram comprados 716 milhões de euros de emissão de dívida com vencimento em 2019, a um preço de 107,85 e a uma taxa negativa de 0,4%. Do lado da emissão de Obrigações do Tesouro com maturidade em 2022, o montante emitido foi, assim, igual, a um preço de 108,43 e a uma taxa positiva de 0,44%.

Já na emissão de dívida com vencimento em 2020, foram comprados 323 milhões de euros, a um preço de 112,39 e a uma taxa negativa de 0,11%. O preço da emissão de Obrigações do Tesouro com vencimento em 2027 foi de 119,7 e a taxa fixou-se nos 1,81% positivos.

Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, analisa esta operação de duas perspetivas: da República Portuguesa e do investidor.

Assim, sob a perspectiva da República Portuguesa, nesta operação o menos importante são as taxas, uma vez que “a operação só faz sentido porque o juro que se ficará a pagar pela dívida nova é inferior ao juro médio da dívida portuguesa”, diz. Segundo o profissional, esta operação tinha como objetivo alongar o prazo de reembolso, adiando o esforço de amortização que estava previsto para 2019 e 2020 para 2022 e 2027. Resumindo, “o que interessa aqui é que o Estado consegue estender o prazo da dívida, num momento em que as taxas de juro estão historicamente baixas”, esclarece.

Já do lado do investidor, acredita que esta operação “é quase como uma ida do investidor ao mercado primário (hoje), dispensando-se de ter que rolar a carteira daqui a 2 ou 3 anos”. Assim, para certos investidores pode fazer sentido esta troca, optando “por uma troca direta do que esperar pela amortização em 2019 ou 2020 e sujeitar-se ao risco de, na altura, não conseguir aplicar o mesmo montante em dívida pública portuguesa, em condições semelhantes às de hoje”, explica.

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