Reflexões a fazer antes de “despedir” um gestor da sua carteira


Avaliar o rendimento das carteiras no final de ano é mais um exercício passivo do que um medidor da qualidade dos investimentos. Afinal de contas, o mercado não regressa ao seu ponto de partida a cada 1 de janeiro, a menos que se liquidem as posições e se volte a começar. E, ainda assim, as primeiras semanas de cada ano dedicam-se tradicionalmente à reflexão acerca da alocação de ativos. Isto é, a questionar-se se é necessário “despedir” algum gestor da carteira e procurar um substituto para “contratar”. E, no entanto, as provas mostram que os assessores financeiros e os seus clientes continuam a cometer os mesmos erros uma e outra vez”, reflete Robert G. Hagstrom, CFA, num recente artigo no blogue do CFA Institute.

Regra geral, os gestores que têm sucesso de primeiro decil num ano é rara a vez que o repetem no ano seguinte, mas existem exceções, como também gestores que continuam a ser insatisfatórios.

Por isso, Hagstrom defende mais o entendimento do processo de cada gestor do que os resultados. “Se um gestor continua a implementar o mesmo processo que produziu os resultados que o atraíram em primeiro lugar, então a lógica dita que as mudanças não fazem falta”, explica. Claro que nos mercados a lógica nem sempre predomina. “A realidade é que quem está encarregado da seleção de gestores só se interessa pelos resultados”, recorda o especialista. “Muitas vezes ficam obcecados com a sua procura de melhores retornos ano após ano”.

E esta estratégia de perseguir os melhores do passado pode colocar em perigo as carteiras. “No mundo do investimento comprar apenas aos ganhadores de curto prazo raramente funciona no longo prazo”, afirma Hagstrom.

Perante isto, o especialista propõe três reflexões:

1. Reconhecer que investir é um exercício probabilístico e, por isso, requer um processo disciplinado.

2. Reconhecer que um processo excelente dará maus resultados a determinada altura.

3. Os melhores de todos os campos da probabilística não só se centram no processo, como também apreciam o papel que o tempo desempenha no desenvolvimento desses retornos.

“Ao focar-se exclusivamente nos resultados a curto prazo, os investidores desviam-se do caminho. É uma das grandes razões pela qual tantos investidores particulares fracassam”, conclui.

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