Razões pelas quais o boom que se viu nas green bonds se vai manter após a COVID-19


A necessidade de reconstruir a economia assolada pela COVID-19 de uma forma mais sustentável não só se inclui na agenda dos Governos, mas também na dos bancos centrais. Uma prova disso está no anúncio de há umas semanas do BCE no qual confirmava que vai incluir um tipo de obrigações socialmente responsáveis, as chamadas obrigações sustentáveis, tanto no seu programa de compra de obrigações soberanas como no programa extraordinário anti-pandemia, além de aceitar este tipo de dívida também como colateral. Tudo isto a partir de 1 de janeiro de 2021.

Este tom verde que estão a adquirir os bancos centrais casa também com a tendência verde que se está a ver nas ações dos Governos, neste caso através da emissão de green bonds. “Mais países poderão unir-se à França, Bélgica, Países Baixos, Chile e Irlanda, os atuais líderes em green bonds. A Alemanha, Espanha e Dinamarca recentemente também manifestaram interesse em emitir green bonds. Estes instrumentos são um modo de promover objetivos do meio ambiente e de fornecer, ao mesmo tempo, estímulo económico”, afirma Mario Eisenegger, diretor de Investimentos da gestora M&G Investments.

Na FundsPeople quisemos perguntar a responsáveis dos fundos especializados em green bonds o porquê de acreditarem que o boom visto até agora neste tipo de emissões se vai manter também no longo prazo.

“Não devemos esquecer que a UE vai emitir cerca de 225.000 milhões de euros em green bonds nos próximos dois anos, e que os outros governos europeus ainda estão a começar os seus programas de green bonds, pelo que acreditamos que as emissões de green bonds continuam a crescer fortemente”, afirmam Alfred Meinema e Bram Bos, da NN Investment Partners.

De facto, defendem que apesar do facto de o BCE ter optado pelas obrigações sustentáveis e não pelas verdes, isto não implica que nestas últimas se vá ver um abrandamento no seu crescimento. “Não acreditamos que o crescimento das green bonds tradicionais abrande devido a este anúncio. O anúncio demonstra certamente o compromisso permanente do BCE com as finanças sustentáveis e aplaudimo-lo, não obstante, o mercado de green bonds é muito mais maduro e tem uma taxonomia muito mais desenvolvida em comparação com as obrigações vinculadas à sustentabilidade, e a UE deve publicar a sua taxonomia definitiva antes do fim do ano”, afirmam.

Julien Bras, da Allianz Global Investors, também se mostra confiante de que o crescimento no número de emissões de green bonds se manterá além do curto prazo e não só pelo apoio do BCE ao mercado de obrigações sustentáveis. “Esta mensagem do BCE é positiva para o mercado de green bonds no sentido em que faz brilhar a classe de ativos, mas os principais impulsionadores de uma maior emissão de green bonds são, na realidade, o interesse e a procura dos investidores, tanto de retalho como institucionais, e as importantes mudanças políticas e sociais relativas à questão das mudanças climáticas graças ao reconhecimento por parte dos participantes no mercado de que as finanças têm o seu papel a desempenhar para o resolver”, afirma.

Atualmente a expectativa do Bank of America quanto a este mercado é muito favorável. Estimam que as emissões de obrigações sustentáveis alcancem em 2020 um volume entre 400.000 e 450.000 milhões de dólares, face aos 334.000 milhões do ano anterior, que se somam ao bilião de dólares de investimento atual. Destaca, além disso, que boa parte destas emissões serão realizadas em green bonds.

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