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Razões para sobreponderar dívida mexicana


Luc D’hooge, responsável de obrigações emergentes da Vontobel AM, afirma que, de olhos postos no ano que agora começa, na entidade continuam a gostar das obrigações de mercados emergentes denominadas em moeda forte, apesar da eleição de Donald Trump ter obrigado os investidores a rever a sua tese de investimento sobre esta classe de ativos. O especialista considera que “oferece rentabilidade extra com uma volatilidade relativamente baixa e as características de rentabilidade/risco também são atrativas”.

O responsável afirma que continua a ver “abundantes oportunidades de valor relativo”, especialmente devido ao facto dos "spreads de uma seleção de obrigações denominadas em euros ainda estarem muito mais elevados do que as emissões denominadas em dólares”. Por regiões, a equipa da Vontobel AM sobrepondera a América Latina, o Médio Oriente a o continente africano; entre as suas principais posições por países figuram o México, Colombia, Argentina e a Indonésia. “O México pode parecer uma seleção estranha, tendo em consideração a presidência de Trump, mas acreditamos que a maioria dos seus efeitos negativos já está  refletida nos preços”, afirma D’hooge.

A equipa de fixed income emergente da Vontobel identificou quatro grandes temas macro que se desenvolverão no ano que vem. O primeiro, mencionado anteriormente, está relacionado com a incerteza em torno dos planos políticos do presidente eleito dos EUA. “No entanto, achamos que – na maior parte – os resultados das eleições já estão refletidos no preço e que o movimento de 50 pontos base que vimos depois da eleição foi um reflexo justo da incerteza”, explica o responsável.

O segundo tema é um possível hard landing na China. D’hooge aclara que “ainda não o vemos como um resultado improvável, mas se se materializar, poderá ser um grande desafio”. O cenário base com que trabalham na entidade é de uma “deterioração controlada” do crescimento económico chinês, incluindo uma maior depreciação do renmimbi. “A rotação estrutural da economia será apoiada por medidas monetárias e fiscais que procuram desacelerar a apreciação do dólar”, acrescenta o especialista.

A terceira temática é uma repetição do que já se viu no princípio de 2016 no universo emergente, especialmente no Brasil, que perdeu o grau de investimento: a equipa da Vontobel espera mais descidas de rating. Neste contexto, D’hooge indica que “as vendas forçadas podem afetar os fallen angels mais do que o habitual, à luz da liquidez limitada nos mercados”. Portanto, considera prudente subponderar a maior parte das obrigações corporativas BBB que apresentam fundamentais em deterioração. Entre os países com maior probabilidade de descida aponta a África do Sul e Turquia.

O último tema é a polarização política, especialmente nos EUA, mas também na Europa, considerando o calendário eleitoral programado para 2017. D’hooge chama a atenção neste ponto para “o impacto do voto de protesto sobre o apetite pelo risco dos investidores”.

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