Rahul Chadha (Mirae Asset Global Investments): “Os clássicos sinais de um pico do bull market estão ainda amplamente ausentes da Ásia”


A pergunta relativamente aos mercados emergentes continua a ser a mesma. Porque é que depois de uma queda de cerca de 13%-14% nos últimos seis meses continuam a existir investidores construtivos nestes mercados? De visita a Lisboa, Rahul Chadha, CIO da Mirae Asset Global Investments, quis deixar bem claros os pontos que continuam a suportar a sua visão positiva relativamente a este espectro de investimento (mais concretamente no mercado asiático), visão essa que suporta, inevitavelmente, a gestão de fundos da casa, como é o caso do produto Mirae Asset Asia Sector Leader Equity Strategy. E em que se baseia este relativo otimismo de Rahul Chadha? “Acreditamos que estamos ainda a meio do ciclo económico global. Os clássicos sinais de um pico do bull market – como o forte crescimento de crédito e as bolhas especulativas de ativos – estão ainda amplamente ausentes da Ásia”, diz perentoriamente.

Na opinião do especialista, obviamente que o crescendo de tensões comerciais entre a China e os EUA trouxe alguns problemas ao mercado, mas a adaptação tem sido palavra de ordem. “Se olharmos para as valuations, vemos que estas têm refletidas uma série de incertezas, e muita negatividade. Chegámos a este ponto muito por causa desta guerra comercial. Os mercados asiáticos corrigiram significativamente desde maio de 2018 devido aos múltiplos ‘headwinds’, incluindo a escalada de tensão na guerra comercial entre os EUA e a China”, recorda.

A adaptação dos fundos da casa a esta escalada de tensão foi pacificamente gerida. “Reduzimos a alocação a consumo discricionário em cerca de 3%/4% e movemos uma parte desse consumo discricionário para os sectores da saúde e da tecnologia, investindo em nomes como por exemplo a Tencent, um  título que caiu cerca de 40%, e que se tornou de novo atrativo. No portefólio olhamos, portanto, para sectores que possam enfrentar um consumer slowdown”, explicou o CIO. A redução da alocação à China foi outro dos movimentos efetuados, mas em termos residuais – diminuíram  a exposição em 3% ao país, mas, ainda assim, a alocação ao gigante asiático mantem-se próxima dos 43%.

China: de que prisma olhar?

E porquê esta “relativa” confiança no mercado chinês? Rahul Chadha demonstra que os proxies do consumo na China corrigiram, mas, na verdade, “os drivers de consumo na China continuaram a ser os mesmos”. Neste sentido, há muitas oportunidades por aproveitar. “Existem muitas posições curtas na bolsa de Hong Kong – muita gente posicionou-se de forma negativa – e é aí que reside a oportunidade. As valuations estão mais atrativas, ou seja os P/B  estão mais baixos, enquanto que os ROE melhoraram”, especificou. Desta feita, o CIO reiterou várias vezes que a história de crescimento estrutural da China continua intacta. “O consumo, atualmente, representa cerca de 65% do PIB chinês, por um lado, e, por outro, vemos que as equipas de gestão das empresas têm vindo a melhorar. Já para não falar do crescente foco na tecnologia que o país apresenta nos últimos três ou quatro anos, com nomes como a Tencent ou Alibaba”, afirmou o especialista.

Mas os motivos pró-China não se ficaram por aqui. “De um ponto de vista técnico, o que está a acontecer é que a inclusão progressiva das A-shares no MSCI fez com que a China passasse a ter um peso nos mercados emergentes cada vez mais significativo. Diria mesmo que foi algo tão profundo como a inclusão da China na World Trade Organization em 2001”, exemplificou. O positivismo estende-se, também, à própria postura das empresas, e Rahul Chadha fala de dados importantes nesse sentido. “As companhias chinesas estão a fazer uma série de buybacks , e os rácios de pagamentos de dividendos têm melhorado, bem como o nível de corporate governance das mesmas”, atesta. Estas são melhorias a um nível micro, que, no entanto, têm feito com que a equipa de gestão reforce posições  e identifique grandes oportunidades, como é o que tem acontecido ao nível do sector da saúde, que no benchmark pesa apenas 2%.

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Na mira da entidade têm estado outros dois países: a Coreia e Taiwan, que juntos perfazem cerca de 27% dos índices asiáticos. O CIO conta que a “história” referente a estes dois países prende-se essencialmente com o facto de ambos terem enfrentado “sérios problemas de concorrência da China”, e a este nível um exemplo concreto vem logo à memória de todos. “A Samsung, na Europa, era líder há três anos atrás no campo dos smart phones... hoje quando olhamos para os telemóveis das pessoas vemos que as marcas chinesas dominam”, enfatiza. Contudo, a Coreia consegue, hoje em dia, “fazer muito dinheiro” numa área em específico. “Os chineses não conseguem fazer dentro de portas as memórias RAM dos smart phones. Por isso, o que incluímos nos portefólios são empresas coreanas e taiwanesas que têm componentes tecnológicas que continuam a ser compradas pelas empresas chinesas”, diz.

 Índia: um dos temas em destaque em carteira

A Índia, que na perspetiva da Mirae continua a merecer um outlook positivo, foi destacada, nomeadamente como “criadora de múltiplas oportunidades” nas carteiras que a entidade tem a seu cargo. Rahul Chadha enfatizou que a passagem de uma economia em grande parte informal para uma economia mais organizada, é um dos pontos de interesse da carteira. “A economia informal da Índia representa cerca de 50% do PIB, o que deixa muita margem de manobra para determinados negócios. Sectores como a joalharia ou até mesmo os hospitais, espera-se que cresçam entre 3.5x e 6x nos próximos 10 anos”.

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