Radiografia do investidor português: o otimismo e a impaciência impõem-se na hora de investir


(TRIBUNA de Carla Bergareche, diretora geral para Espanha e Portugal da Schroders. Comentário patrocinado pela Schroders.)

O mundo do investimento também não se livrou da incerteza gerada pela Covid-19 a nível mundial. A pandemia e os confinamentos para controlar a sua expansão levaram o mundo à pior recessão desde a Grande Depressão dos anos 30.

Apesar deste cenário, os investidores globais continuam a esperar alcançar uma rentabilidade anual de dois dígitos com as suas carteiras. Assim conclui o Estudo de Investidores Globais da Schroders, no qual participaram mais de 23.000 investidores de 32 lugares em todo o mundo. Em concreto, os investidores em Portugal esperam obter 7,9% de rentabilidade média anual durante os próximos cinco anos; umas expetativas de rentabilidade a priori demasiado otimistas se tivermos em conta o contexto atual. Este otimismo contrasta com o facto de que em média os inquiridos pensam que o impacto da crise económica durará 1,75 anos, uns cálculos que não estão em conformidade com as previsões de organismos oficiales de muitos países, segundo os quais as sequelas se prolongarão ainda mais no tempo.

Talvez em busca dessa rentabilidade ou como resposta ao medo provocado pelos movimentos voláteis do mercado, os investidores a nível global efetuaram mudanças nas suas posições à medida que a crise se foi desenvolvendo. 35% deles afirmaram ter mudado parte da sua carteira para investimentos de maior risco. No entanto, 53% fizeram o contrário, optando por mudar parte das suas posições para ativos menos arriscados.

O instinto diz-nos para nos protegermos depois de um grande choque; por isso, não surpreende que alguns investidores vendessem devido à  irrupção da COVID-19. No entanto, chama a atenção o facto de um grupo tão numeroso de pessoas ter feito o contrário e ter aumentado a sua afetação ao risco. Isto sublinha a importância do aconselhamento na hora de definir os nossos objetivos de investimento e perceber o que podemos esperar.

A que e a quem recorrem os investidores portugueses na hora de solicitar ajuda com as suas finanças?

Segundo o nosso estudo, a maioria dos inquiridos portugueses (49%) continua a ter o banco como referência para solicitar serviços de aconselhamento financeiro, face aos 36% que recorrem a um consultor financeiro independente. A crise global imposta pela Covid-19 colocou um maior foco na poupança, com quase 49% dos investidores a revelar que agora pensam nos seus investimentos, pelo menos, uma vez por semana, comparativamente com 35% antes da pandemia. Em Portugal, este número é ainda mais revelador, com 59% dos investidores a pensar nos seus investimentos pelo menos uma vez por semana, em comparação com 40% antes da pandemia.

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Com que frequência pensa nos seus investimentos?

 

Por isso, um ano mais, este estudo representa um instrumento único para compreender las expetativas dos investidores e é curioso descobrir que, apesar das dramáticas consequências da Covid-19 sobre o nosso trabalho e a nossa vida, os investidores continuam a confiar em que podem obter uma elevada rentabilidade com os seus investimentos. Isto contrasta com a pouca inclinação para manter a carteira a longo prazo em tempos agitados, uma situação com a terão de ir lidando os investidores, pois acreditamos que aparecerão mais forças disruptivas nos mercados e que, em geral, será mais difícil conseguir rentabilidade se não formos pacientes.

 

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