Quem ganha e quem perde numa hipotética vitória eleitoral de Joe Biden


Um triunfo de Joe Biden, candidato democrata à Casa Branca, poderá ter importantes implicações em todos os mercados e setores. Segundo apontam as sondagens, a sua vitória é cada vez mais provável. Segundo a média de sondagens, a nível geral o ex vice-presidente dos Estados Unidos tem 10 pontos de vantagem em relação a Donald Trump. O problema para o atual inquilino da Casa Branca é que as suas expectativas eleitorais estão a piorar nos chamados estados “swing states”, aqueles em que às vezes ganham os democratas e em que outras vezes ganham os republicanos, que no fim de contas são os que decidem o vencedor. Quem ganhará e quem perderá em caso de uma vitória eleitoral de Joe Biden?

Paresh Upadhyaya, diretor de Estratégias com Divisas e gestor de ações americanas na Amundi, e Craig Sterling, responsável de Análise de ações americanas realizaram um relatório, ao qual a FundsPeople teve acesso, no qual analisam que setores se verão impactados negativamente por uma vitória do candidato democrata e também em que outros setores o investidor poderá encontrar refúgio. Entre os que se verão mais afetados negativamente, destacam os seguintes:

  1. Finanças: “Este setor foi o que mais beneficiou dos cortes fiscais de Trump (é na sua maioria um setor doméstico) e da redução da regulamentação; portanto, é possível que em caso de vitória de Biden aconteça o contrário”.
  2. Energia: “Com o candidato democrata na Casa Branca é provável que aumente a regulação sobre o fracking e que se eliminem os principais incentivos fiscais”.
  3. Empresas cíclicas com capex alavancado: “Além do impacto fiscal, esperamos indiretamente que as taxas fiscais mais elevadas limitem o investimento privado de capital, o crescimento económico e, portanto, o crescimento dos lucros dos ativos cíclicos, que incluem não só bens de capital e transporte, como também hardware e equipamento tecnológico”, explicam.
  4. Consumo discricionário: “A maior parte das vendas a retalho são puramente domésticas, por isso os impostos não serão prejudiciais. Além disso, a agenda laboral democrata é agressiva, com salários mínimos mais altos e novas leis para organizar os lugares de trabalho”.
  5. Setor farmacêutico e biotecnologia: “É provável que se implemente o controlo dos preços sobre os medicamentos independentemente de quem ganhe, mas é também provável que seja mais agressivo com Biden. Por isso, é provável que o nível de importância das soluções COVID-19 se desvaneça de qualquer forma”.
  6. Tecnologia. “Esperamos um maior escrutínio regulatório e mais pressão para a fragmentação das principais empresas. Os baixos impostos abonados pelas grandes empresas são um objetivo provável. As tensões ao redor da China e a cadeia de fornecimento podem continuar a ser altas independentemente de quem ganhar, mas com menos dramatismo e menos titulares em caso de uma vitória de Biden”.

Onde se refugiar? Setores que se veriam mais beneficiados

  1. Utilities e REITS: “O aumento dos impostos é neutro em termos líquidos para os lucros/fluxos de dinheiro de ambos os setores, que deverão ter um rendimento relativamente superior”.
  2. Produtos básicos de consumo: “A procura deverá ser relativamente segura. As grandes empresas geram lucros internacionais significativos”, indicam.
  3. Software: “Ainda que um golpe nos seus baixos impostos prejudique o setor, a indústria é global, o que o compensará. É importante destacar que os provedores de software como serviço (SaaS) não estejam sob o mesmo microscópio regulador que as grandes empresas tecnológicas, e não têm os desafios da cadeia de fornecimento de hardware e equipamento tecnológico. Por último, o SaaS permite às empresas serem mais eficientes e reduzir outros custos”.
  4. Retailers: “Comerciantes de retalho que já aumentaram os salários e têm níveis de lucro mais baixos, é provável que a redistribuição os beneficie. É provável que o alívio da dívida dos estudantes ajude a impulsionar o consumo”.
  5. Telecomunicações: “O setor ver-se-á afetado pelo aumento dos impostos, mas as políticas de Biden deverão preparar o caminho para disponibilizar a banda larga para todos, permitindo que os operadores gerem um rendimento semelhante ao de uma utility”.
  6. Equipamento biossanitário: “O aumento do financiamento para a investigação, do orçamento do Instituto Nacional da Saúde (NHI) e a preparação para futuras pandemias deverão impulsionar a procura”.
  7. Defesa: “Biden poderá ser percebido como negativo, mas a força militar goza do apoio bipartidista e as tensões geopolíticas são elevadas. A defesa poderá ser vista como um ativo refúgio e continuar a crescer nos próximos anos devido ao atraso entre a autorização do orçamento e aos desembolsos de dinheiro e qualquer eventual diminuição, que no complexo da defesa tendem a significar um crescimento mais lento”, concluem.
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