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Que rentabilidades esperar dos mercados na próxima década


“São vários os fatores que nos dizem que estamos numa fase madura do ciclo, mas não identificamos qualquer sintoma que nos aponte para uma recessão iminente”. Quem assim comenta é Manuel Arroyo é diretor de Estratégia da J.P.Morgan Asset Management para Portugal e Espanha. Para o profissional, alguns indicadores mostram finalmente algum sinal de maturidade do ciclo, mas não são suficientes para se reforçar o cariz defensivo das carteiras. Destaca, por exemplo, o mercado laboral nos EUA, onde finalmente se vê alguma inflação salarial, ou o mercado do imobiliário que dá alguns sinais de sobreaquecimento, mas pouco mais.

Abaixo, poderá consultar o resumo de uma análise que a J.P.Morgan AM faz anualmente onde é comparada a rentabilidade anualizada das diferentes classes de ativos desde 2009 e aquelas que são as melhores expectativas de rentabilidade para o futuro. “Há uma grande diferença entre o que experienciamos nos últimos anos e aquilo que o futuro nos poderá proporcionar. Esta não é uma análise a curto-prazo. Não mostra se daqui a uns meses ou anos vamos ter uma queda de mercado, mas sim o que um investidor deverá esperar no longo prazo”, comenta.

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Vemos, por exemplo, que as rentabilidades esperadas da bolsa americana ou dos mercados high yield deverão estar longe dos níveis aos quais os investidores ficaram habituados. “Que implicações isso tem do ponto de vista de construção de carteiras? Os investidores têm que ajustar as suas expectativas à realidade que estamos a ver. Menor crescimento das economias e dos resultados empresariais que se traduzirão em rentabilidade mais baixas de mercado nos próximos dez anos do que as verificadas na última década”, acrescenta o responsável ibérico da gestora norte-americana.

Neste contexto mais complexo, da entidade veem uma procura pouco uniforme em função do segmento de gestão de ativos que se considera. “Em tudo o que são redes de distribuição e banca privada, as estratégias mais procuradas no passado e no presente são estratégias de income. Fundos como o JPM Global Income têm feito muito sucesso num contexto em que os investidores procuram complementar as fontes de rendas tradicionais. Já no mundo dos asset allocators, gestores, fundos de pensões e fundos de fundos, depende muito mais da entidade. Algumas aproveitaram as quedas para reforçar as posições em ativos de risco, enquanto outras mantiveram o posicionamento que já tinham desde meados do ano passado. No geral, a grande tendência que observamos é que os clientes estão a esperar para ver que direção tomam os mercados para ajustar posições”, comenta Manuel Arroyo.

“Do nosso lado o que recomendamos neste contexto maduro do mercado são duas abordagens. Por um lado, posições diversificadas em classes de ativos que proporcionam rendimento, como as já referidas. Recomendamos também ‘building blocks’ menos correlacionados com os mercados tradicionais”, explica o profissional. Neste campo, Manuel Arroyo destaca estratégias focadas em obrigações convertíveis, de ações long-short ou alternativos multi-manager. “Estas estratégias descorrelacionadas vêm proporcionar os benefícios que antes proporcionaram as obrigações: um retorno decente com baixa volatilidade. O grande desafio é substituir a abordagem tradicional de diversificação através de obrigações”, conclui Manuel Arroyo. 

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