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Que países têm os melhores selecionadores de fundos?


Identificar onde estão os melhores selecionadores de fundos europeus parece ser uma missão muito complexa e com alguma controvérsia. Não existem formas de medição fiáveis, que permitam avaliar e comparar o seu trabalho, o que torna muito difícil perceber em que países o processo de seleção de produtos é mais rigoroso e profissional. A maneira mais adequada de o fazer é analisar qual o resultado gerado pelo fundo escolhido pelo selecionador. Se o produto superou o seu índice de referência ou o ETF contra o qual poderia ser comprado, poderá considerar-se que o profissional desempenhou bem as suas funções, enquanto que se a estratégia oferecer um retorno abaixo do benckmark ou do fundo cotado em questão, entende-se que o selecionador falhou no trabalho que efetuado.

Esta comparação pode ser avaliada através das classificações que os selecionadores europeus atribuem aos diferentes fundos analisados na plataforma SharingAlpha, um provedor de serviços israelita que reúne as avaliações qualitativas fornecidas pelos assessores e selecionadores de fundos de toda a Europa. A estratégia da empresa baseia-se em classificar os fundos de investimento a partir das valorizações qualitativas atribuídas por estes profissionais, o que permite elaborar de forma periódica um ranking com os fundos mais valorizados por este coletivo. No entanto, também permite realizar o mesmo exercício de forma inversa, ou seja, identificar que assessores e selecionadores de fundos mostram um maior grau de precisão na altura de selecionar os produtos.

Em primeiro lugar, é importante conhecer a metodologia que estes profissionais seguem no processo de valorização dos seus produtos nesta plataforma. As pontuações que obtêm vão entre um e cinco. Um rating de cinco significa que o avaliador tem uma forte confiança na estratégia, considerando que no futuro irá superar de forma significativa o ETF em relação ao qual os seus resultados poderiam ser medidos. Em contrapartida, um rating de um significa que se mantêm perspetivas negativas para o fundo em relação ao seu ETF comparável, prevendo-se que o produto gere um alfa negativo e que, portanto, não irá agregar valor. A nota do selecionador será determinada pela sua capacidade de avaliar os rendimentos futuros dos fundos que classificou e se o produto em questão conseguiu ou não vencer o ETF com o qual foi comparado.

Dos 1.200 profissionais que atualmente emitem as suas valorizações na SharingAlpha, 800 contam com um track recorde suficiente que permite medir o seu índice de precisão. Periodicamente, a plataforma reúne todas as qualificações realizadas por cada profissional, comparando-a com o comportamento do fundo. Quanto mais próxima a sua avaliação estiver dos resultados obtidos pelo produto, maior será a pontuação obtida pelo profissional no Hit Score, a nota global obtida pelo selecionador ou assessor financeiro e que resulta do grau de precisão da análise efetuada às diferentes estratégias que analisou. A SharingAlpha coloca essa nota em comparação com a que foi obtida pelos outros profissionais da plataforma, dividindo os resultados em quatro grupos. É o que denominam como Alpha Ranking.

Àqueles que se encontram dentro do primeiro decil (10% com maior Hit Score) é atribuído o Triple Alpha; aos que se situam entre os 10% e os 25% são classificados como selecionadores Double Alpha, enquanto os profissionais que têm uma nota compreendida entre os 25% e os 50% são Single Alpha. Todos os selecionadores e assessores financeiros com um Hit Score no terceiro e quarto quartil são No Alpha. Os resultados mostram que, dentro da Europa, os que melhores notas obtiveram foram os selecionadores britânicos. Conseguiram-no com uma classificação muito acima da média, ainda que seja importante realçar que o Reino Unido representa uma elevada percentagem do total de selecionadores que participam na plataforma SharingAlpha (são 203 do total).

A sua precisão na hora de prever é muito elevada. Dos 42 selecionadores britânicos que obtêm algum tipo de ranking, 26 estão no primeiro grupo, ou seja, no primeiro decil dos que melhores resultados obtiveram na altura de prever o comportamento futuro de um fundo (Triple Alpha). Dos 16 selecionadores restantes, 11 são Double Alpha e cinco Single Alpha. Atrás do Reino Unido está Espanha, que aparece como um país onde o nível de previsão dos profissionais dedicado à análise e seleção de fundos é muito elevado. Esta posição é evidenciada pelo facto de 16 profissionais terem um nível de precisão acima da média e, portanto, contarem com rating. A maioria (11) são Single Alpha, o que significa que as suas notas estão no segundo quartil, quatro são Double Alpha e apenas um é Triple Alpha.

O profissional espanhol que até hoje obteve melhores resultados nesta plataforma da SharingAlpha foi Pablo Nortes Planas, que durante os últimos anos desenvolveu a sua carreira como analista e membro do Comité de Investidores da Tressis e que, no início de outubro, integrou a Willis Towers Watson como consultor de investimentos. Trata-se de um profissional com cinco anos de experiência em serviços financeiros e consultoria de investimentos. Licenciado em Direito e Administração de Empresas (E – 3) pela Universidade Pontifícia Comillas (ICADE), realizou diferentes estudos de pós-graduação em universidades como IEB, HEC Paris ou Harvard University, tendo obtido o certificado EFA. Atualmente, é candidato ao terceiro nível da certificação CFA.

A Espanha segue-se a Suíça e a Itália. No caso do país helvético, 14 profissionais contam com Ranking Alpha. Entre eles estão Karl Safft (cofundador da Safft Investment Partner) e Laurent Cattin (analista de fundos e gestor de carteiras na Gonet & Cie), que têm o Triple Alpha. No caso do país transalpino, o número de selecionadores e assessores financeiros incluídos no primeiro e segundo quartil ascende 14, se bem que apenas um é Triple Alpha. Trata-se de Alberto Moioli, assessor financeiro e gestor de carteiras no FinecoBank, o banco online do grupo Unicredit. Tem a certificação CFA e CAIA e está instalado em Milão. Abaixo encontra-se a tabela com o ranking completo, apresentado quantos profissionais, em cada país europeu, estão incluídos em cada uma das categorias:

Ranking

País Total de selecionadores no primeiro e segundo quartil por resultados Triple Alpha (Primeiro decil) Double Alpha (10%-25%) Single Alpha (25%-50%)
1. Reino Unido 42 26 11 5
2. Espanha 16 1 4 11
3. Suíça 14 2 7 5
4. Itália 12 1 2 9
5. Noruega 10 1 6 3
6. Alemanha 5 0 1 4
7. Israel 5 0 1 4
8. Luxemburgo 5 3 0 2
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