Que mudanças fez o Carmignac Securité para reduzir o risco da sua carteira


Keith Ney não foi o único dos gestores de fundos que se despediu de 2018 com quedas – de facto, 94% dos fundos vendidos no mercado ibérico acabaram esse fatídico ano com perdas – mas o facto do seu fundo Carmignac Securité, que conta com a Classificação Blockbuster do Selo Funds People e cuja máxima foi sempre a de preservar o património, ter fechado o exercício passado com um retrocesso de 3%, surpreendeu um grande número de investidores.

Não obstante, o fundo parece ter virado a página e desde o início do ano registou um ganho de 0,60% num contexto de taxas de juro de 0% que se prevê que se mantenham durante muito mais tempo, após a reviravolta acomodatícia protagonizada pelos bancos centrais neste contexto de desaceleração económica sincronizada. O que fez o gestor para dar a volta à situação? “Existiram mudanças nos últimos cincos meses que nos fizeram ficar otimistas já que pela primeira vez em muito tempo voltamos a ver carry em obrigações corporativas europeias de curta duração, e isso gerou-nos grandes oportunidades sem ter de assumir o risco de duração”, aponta Ney.

De facto, atualmente a sua carteira está, em mais de 60%, investida em dívida corporativa com uma clara preferência pelas emissões de curta duração, para minimizar assim o impacto que têm no ciclo económico, e com um rating da carteira médio de A-. Deixa, assim, outro tanto em dívida high yield, da qual, salvo raras exceções, considera que “não compensa em termos de rentabilidade risco já que não está a oferecer prémios neste momento”.

Espanha gosta, Itália não

Outro dos grandes movimentos que o gestor fez no seu fundo, que conta já com mais de 9.700 milhões de euros em ativos sob gestão, foi relativo à dívida pública. “Nos últimos meses comprámos dívida pública de países como a Bélgica ou a Áustria a longo prazo porque vemos que apresentam boas valorizações em comparação com as obrigações alemãs”, aponta o gestor.

Além disso, continua a mostrar uma grande confiança no potencial que as obrigações espanholas continuam a oferecer, cuja yield a 10 anos está a níveis de 1%, nas quais espera que continue a cair a yield “apesar da volatilidade que costumam trazer os períodos eleitorais”. E também defende o investimento em obrigações gregas que fez e às quais recentemente aumentou a exposição, ainda que uma das suas apostas mais chamativas é a que realizou sobre as obrigações cipriotas que justifica afirmando que “são os que oferecem a rentabilidade mais alta com um rating de alta qualidade”. 

A exceção nesta visão tão positiva que apresenta a respeito da dívida da periferia europeia é protagonizada por Itália. “Temos 0% de exposição à dívida italiana já que apresenta uma situação muito frágil devido ao elevado défice que mostra, o qual se  encontra numa recessão e ao contexto político. Julgo que o debate sobre o orçamento será retomado nos meses de verão e é difícil que a situação melhore se forem levadas a cabo medidas estruturais que fazem falta”, afirma enfaticamente.

Preparado para uma recessão que não vê no curto prazo

Com as mudanças que fez na sua carteira nos últimos meses para reduzir o risco da mesma, Ney mostra-se convencido de que são suficientes como para poder enfrentar uma recessão que, não obstante, não se vê no curto prazo. “Fui reduzindo o risco e temos ativos que terão de se comportar bem num contexto de recessão global que, contudo, não é o cenário que gerirmos”, afirma.

Defende-se que este contexto de taxas baixas se mantenha durante mais tempo num momento em que as perspetivas de inflação da Europa não fazem outra coisa senão tender em baixa. Enquanto os EUA, considera que é “possível ver a Fed baixar as taxas este ano”, se a sua economia continuar a cair, após já não contar com o apoio da política fiscal que tanto impulsionou nos últimos dois anos.

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