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Que ajustes fizeram as gestoras de pensões nacionais às suas carteiras?


A crise pandémica que vivemos atualmente teve repercussões nos mercados financeiros, especialmente entre o final de fevereiro e o dia 25 de março, sensivelmente. Os gestores de ativos tiveram, claro, de arranjar soluções de minimização de perdas, e começar a olhar para as alternativas que possam “sossegar” os clientes. E nos fundos de pensões, que mecanismos foram utilizados na gestão destes produtos que se esperam desenhados e geridos para assegurar um retorno de médio/longo prazo?

À FundsPeople, da GNB Fundos de Pensões, João Pina Pereira, explica que “face à disrupção verificada nos mercados durante as primeiras três semanas de março, em especial no que diz respeito aos mercados de obrigações de dívida privada, o nosso foco recentrou-se mais para estes mercados”. O profissional explica que nesse período “a falta de liquidez dos ativos assumiu um peso determinante e decisivo”, enquanto que a análise de risco de mercado “acabou por se revelar mais secundária”.

A almofada de liquidez…

Da Real Vida Seguros, Ricardo Almeida, fala da manutenção de uma preocupação que já têm habitualmente na gestão dos fundos de pensões: “um foco importante na componente liquidez (quer no que se refere à percentagem alocada a instrumentos do mercado monetário, quer no que se refere à facilidade de monetização dos ativos de risco da carteira)”. Explica que “a volatilidade historicamente elevada tornou ainda mais visível a necessidade de coberturas parciais do risco de ações e de obrigações”.

Na mesma linha de pensamento, José Bonito, da BPI Vida e Pensões acrescenta que neste contexto reforçaram “o screening das suas posições em carteira e de procura por novas oportunidades de investimento, privilegiando, como sempre, o binómio Retorno/Qualidade”, tendo igualmente reforçado “os níveis de liquidez, com o objetivo de fazer face a necessidades de curto prazo para com os nossos clientes, bem como, para reforçar ou fazer novos investimentos”.

Valdemar Duarte, da Ageas Pensões, recorda que é “natural que exista uma redução dos ativos sob gestão”, já que “os fundos de pensões são valorizados à cotação de mercado” e, por esse motivo,  “quando existem movimentos bruscos e negativos nos mercados, como o que se registou a partir de meados de fevereiro, com a desvalorização das ações e o alargamento de spreads da dívida”, esse tipo de movimentos aconteceu. Contudo, tendo em conta “o aumento significativo da volatilidade e da reduzida liquidez para algumas classes de ativos, a gestão de investimentos tem que ser objeto de uma atenção muito especial, mas sempre dentro das regras das respetivas políticas de investimento que não tiveram necessidade de ser alteradas”.

Todas as gestoras falam também da necessidade de perceber que os fundos de pensões são investimentos de médio/longo prazo e, por isso, funcionam numa lógica diferente de outros produtos. “A dinâmica de subscrições e resgates não está diretamente relacionada com flutuações de mercado no curto prazo”, salienta mesmo Ricardo Almeida. Acrescenta que “o fator verdadeiramente novo e de alto impacto na gestão dos fundos de pensões está relacionado com o acompanhamento do fluxo diário de informações sobre a evolução das várias métricas da Covid-19”.

Factores (algo) positivos

José Bonito é da opinião de que “por mais desafiante que pareça o momento, um investidor com paciência, racionalidade e tranquilidade prosperará com a eventual recuperação da atividade económica e dos preços dos ativos” já que acredita que essa “recuperação acontecerá”.

Nos mercados, mais concretamente, o processo de normalização já começou a dar sinais, em abril, como lembra João Pina Pereira da GNB Fundos de Pensões. No entanto, avisa que “ainda existe um enorme caminho a ser percorrido até à normalização dos mesmos”. Essa recuperação, diz Valdemar Duarte, trouxe, ainda assim uma desvalorização dos fundos de pensões que “é inferior à que se verificou, por exemplo, no final de 2018”.

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