Quanto pagam em comissões os fundos mobiliários portugueses?


Quantas receitas geram os fundos de investimento mobiliários domiciliados em Portugal? Como evoluíram os números face ao ano passado? Quais as categorias de fundos mais rentáveis? São três questões que nos permitem ter uma ideia da dimensão e estrutura do mercado de gestão de fundos mobiliários domiciliados em Portugal, em termos de receitas, e como o último ano tem sido positivo em termos da sua evolução. De notar que são números que não incluem fontes de receitas importantes da indústria, como o são a distribuição de fundos, gestão de patrimónios, consultoria para investimento ou o negócio de fundos mobiliários internacional, mas sim e somente as comissões suportadas ao nível dos fundos de investimento mobiliários portugueses. Os dados constituem valores acumulados desde os últimos 12 meses até à data de referência.

Olhando para os números disponibilizados pela CMVM podemos observar que o montante absoluto de comissões pagas pelos fundos mobiliários nacionais ascendeu aos 155,7 milhões de euros nos 12 meses que terminaram em março de 2020, o que representa um crescimento na ordem dos 17% em relação ao final do ano passado e de 32% face ao mesmo período do ano anterior. Falamos de um crescimento de receitas homólogo que atinge os 38 milhões de euros. 

O grosso desta receita e crescimento teve origem nas comissões de gestão, muito embora as comissões de carteira de títulos, taxa de supervisão e outras comissões tenham acompanhado o crescimento.

Em termos médios, observamos nos dados divulgados que a taxa média de comissão de gestão cresceu 10 pontos base face ao final de 2019 e 22 pontos base face ao mesmo período do ano passado. 

 

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Março de 2020

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Março de 2019

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Olhando para o detalhe em absoluto por categoria de fundo de investimento, observamos que a categoria de Outros Fundos - que inclui quase metade dos ativos sob gestão em fundos mobiliários portugueses e agrega, principalmente, fundos multiativos - foi a que gerou maior volume de comissões de gestão no período - 52,3 milhões de euros -, evidenciando também um crescimento anual na ordem dos 25.3%. Com um crescimento significativo, vemos também as comissões de gestão dos fundos de poupança reforma (PPR), que cresceram 19,8% entre os dois períodos de doze meses que terminaram a 31 de março de 2020 e 2019. 

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As categorias de fundos mobiliários que viram as suas comissões de gestão médias aumentar entre os dois períodos de 12 meses analisados (as comissões médias correspondem ao rácio entre as comissões suportadas e o valor líquido global médio mensal e não o VLGF no final do período) foram a dos fundos de ações e de poupança reforma - 10 pontos base -, mas principalmente os fundos de obrigações e a rubrica de outros fundos, cuja comissão de gestão média subiu 20 pontos base. 

Em termos da comissão de depósito média os valores mantêm-se praticamente todos inalterados (talvez pelo arredondamento a uma casa decimal), destacando-se, no entanto, as comissões de depósito em fundos monetários que subiram de 0% para 0.1%. 

Sobre as comissões de depósito dos fundos mobiliários portugueses e principais entidades depositárias em Portugal, a FundsPeople publicou na mais recente revista um artigo com a compilação dos dados da indústria nacional com o título Bancos depositários: O lado menos visível da gestão de ativos

 

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Março de 2020

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Março de 2019

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