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Quanta proteção necessitamos com ativos livres de risco?


A dívida pública foi considerada, historicamente, como o ativo livre de risco. O problema é que agora está cara, com aproximadamente 33% a negociar atualmente com yields negativas. “As yields negativas representam, em geral, um desafio para os mandatos com diretrizes de investimento rigorosas que limitam a flexibilidade de um gestor de carteiras para navegar num contexto de taxas de juro baixas e negativas”, afirma Konstantin Veit, gestor na PIMCO. Não obstante, os que têm mais flexibilidade para se moverem pelo universo completo têm a vida facilitada já que podem mover-se com mais liberdade em todo a oferta que o mercado configura.

Um gestor de fundos de obrigações tem duas opções para resolver este problema. A primeira é focar-se na parte do universo de investimento que ainda proporciona um rendimento positivo. À medida que mais e mais obrigações estão a dar um rendimento negativo, esta opção aumenta o risco da carteira (ao aumentar a duração ou diminuir o perfil de crédito). “Esta abordagem é perigosa e tendemos a preferir adotar uma estratégia flexível que não se centre no rendimento, mas em taxas e na dinâmica da propagação”, indica François Collet.

O gestor do fundo DNCA Alpha Bonds (Natixis IM) considera que as obrigações de governos oferecem proteção aos investidores que procuram segurança, já que tendem a funcionar bem durante os crescentes momentos de aversão ao risco. “Numa carteira diversificada, mesmo com um rendimento negativo (o suficiente para perder dinheiro nas maturidades), pode-se melhorar o perfil de retorno de risco do investimento graças à sua correlação negativa histórica com os ativos de risco”, sublinha. Mas… quanta proteção necessitamos com ativos de dívida pública?

Essa é a grande pergunta. É um debate quase diário na TwentyFour. “Acreditamos que a melhor abordagem foi manter uma alocação estratégica básica e significativa aos ativos livres de risco, já que os dados ditaram que é preciso adotar uma atitude mais cautelosa, independentemente do facto de os ativos de risco terem passado ao lado da deterioração. Na nossa opinião, os mercados continuam a subestimar a possibilidade de uma queda e, portanto, preferíamos manter uma proteção a longo prazo”, asseguram.

São muitos os gestores que implementaram nos últimos tempos uma alocação à dívida pública. E não só como mecanismo de proteção. Nick Hayes, gestor do AXA WF Global Strategic Bonds, reconhece que atualmente possuem mais obrigações governamentais e de duration do que aquelas que tiveram em etapas anteriores do ciclo económico no fundo. “Esta parte da carteira teve bons resultados e acreditamos que continuará a gerar alfa. Além disso, contribuirá para baixar a volatilidade do fundo, devido à sua baixa correlação com o crédito”, explica o gestor da AXA IM.

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