Quando o macro fundamental se junta a uma abordagem sistemática, alicerçados na gestão do risco


André Veloso e Ricardo Seabra, CFA, apelidam-se a si próprios de “filhos do Banco BiG”. Os dois gestores de ativos fundaram o recém criado departamento de investimentos alternativos do BiG – Banco de Investimento Global, um departamento que se propõe a incubar e alojar estratégias de investimento alternativas que acrescentem valor e descorrelação com os ativos tradicionais. Estratégias orientadas para investidores institucionais e com abordagens profissionais, que apreciam e procuram retornos descorrelacionados para tornar as suas carteiras ainda mais eficientes. “Somos da opinião que uma carteira equilibrada beneficia largamente de componentes alternativas, verdadeiramente descorrelacionadas, especialmente numa altura em vemos significativas distorções criadas nos mercados em resultado do período longo de políticas monetárias pouco ortodoxas”, comenta Pedro Coutinho, diretor de Institutional Wealth Management. A ideia é desenvolver estratégias descobertas e comprovadas no universo de gestão de investimento e mercados do banco, com o BiG a assumir o papel de gestor, mas também de investidor, numa estrutura em que é assegurado que os interesses estão alinhados entre o banco e os participantes. E o primeiro passo do departamento já está dado.

A história

A nova estratégia lançada pelo BiG na Irlanda, num formato de fundo alternativo ou hedge fund, começou na equipa de gestão da tesouraria do banco, departamento especializado na dívida soberana da periferia europeia. “O banco tinha a noção de que as grandes oportunidades que surgiram aquando da crise de dívida europeia não durariam para sempre, e começou cedo a pensar em vias alternativas para obter retorno numa fase em que essas oportunidades não fossem tão sumarentas”, começa por contar Ricardo Seabra. “Neste contexto, na gestão dos ativos do banco, era-nos dada margem para manter algumas estratégias paralelas ao que era a carteira core, com o mandato de explorar novas avenidas de investimento. E duas começaram  a destacar-se. Por um lado, uma estratégia global macro fundamental desenvolvida por mim, e por outro, um modelo mais quantitativo, de trend following, a cargo do André”, acrescenta.

Aquela que era uma estratégia de captura de tendências em mercados acionistas foi então, segundo André Veloso, o ponto de partida para o desenvolvimento de uma metodologia mais diversificada. “Na tentativa de diversificar entre drivers de retorno começámos a explorar toda a oferta de ativos macro e verificámos que rapidamente o processo de descorrelação começou a funcionar muito melhor”, explica André Veloso. Juntando as duas estratégias, “uma mais humana e outra mais sistemática”, sob a alçada de uma gestão de risco comum, rapidamente os gestores perceberam que estas eram complementares e descorrelacionadas e passaram a geri-la como uma só.

“Os resultados foram muito positivos. Começámos com um grau de exposição e de alocação de risco pequenas, mas à medida que a estratégia foi mostrando resultados foi merecendo cada vez mais a confiança da administração e ganhando peso”, comenta Ricardo Seabra. Com o sucesso demonstrado, aos gestores foi proposta a constituição de uma estrutura de investimento coletivo e assim nasceu o BiG Diversified Macro Fund.

A estratégia

Uma estratégia híbrida, é a forma como os gestores a caracterizam. Resulta então da combinação de uma estratégia global macro, que procura oportunidades em horizontes temporais de três meses, com base na análise fundamental dos dados disponíveis e alguma análise política, com uma abordagem sistemática com características de CTA. Assente puramente em contratos de futuros – os mais líquidos disponíveis – as duas abordagens de gestão da equipa assentam numa base sólida de gestão dos risco e incorporação das próprias medidas de risco no processo de investimento. A alavancagem do fundo é limitada em termos de Value at Risk e notional. Isto além dos limites individuais de volatilidade por cada posição.

O comissionamento foi definido no sentido de se revelar mais atrativo do que a média do mercado – estrutura 1%/15%, de comissões de gestão e performance respetivamente – e o formato de fundo alternativo, regulado pela diretiva AIFMD, que beneficia do regime de passaporte europeu, resultou de uma análise profunda daquele que era o trade-off entre uma replicação fiel da estratégia e uma abordagem mais limitada que a regulação UCITs iria impor. O fundo não irá obrigar a qualquer comissão de resgate ou subscrição, e a execução em D+2 reflete a elevada liquidez pela qual a estratégia se pauta.

Gestão da liquidez

Sendo uma estratégia implementada através de futuros, os ativos comprometidos com as margens dos mesmos representam uma parte reduzida da carteira, pelo que a gestão da liquidez é uma parte importante do trabalho de gestão. “Temos um mandato muito restrito de investimento dessa liquidez, que pode ser aplicada somente em obrigações investment grade abaixo dos cinco anos de duration, sujeito também a um limite máximo de 10% por emitente. Atualmente contamos com cerca de dois anos de duration em carteira através de covered bonds, emissões senior de bancos e algumas obrigações corporativas. A yield na constituição desta carteira rondava os 0,27%. O propósito é proteger o capital do fundo das taxas negativas no mercado. Não é um investimento especulativo, pelo que não nos sentimos muito confortáveis em estar muito para lá dos dois anos”, detalha André Veloso.

Gestão de risco holística

As duas abordagens são ponderadas na medida em que o risco seja alocado equiponderadamente entre ambas. “O que acontece na prática é que se o modelo sistemático estiver a operar num nível de risco elevado e surgirem muitas tendências de mercado com potencial, automaticamente vai ter menos espaço para tomar posições táticas, a não ser que estas contribuam para a redução do risco. As decisões de adicionar uma nova posição são limitadas por vários métodos de controlo agregado. As estratégias equilibram-se”, comenta André Veloso.

“Quanto a parte tática macro da carteira vai tomar uma posição, é informada pelo modelo acerca dos drivers ou fatores de risco semelhantes a que a carteira já está exposta. O processo oposto não se verifica, da abordagem sistemática para a tática, para que não haja a tentação de retirar o sistemático da parte sistemática da carteira”, acrescenta Ricardo Seabra. Segundo os gestores, as tomadas e as vendas de posições são sempre calibradas em função das volatilidades e são revistas todas as semanas.

“As nossas estratégias são muito complementares e juntas proporcionam um binómio de risco e retorno muito mais interessante do que fariam individualmente. Isto acontece porque têm este tronco comum de gestão do risco. Competem muito bem com os retornos dos mercados de ações e obrigações e melhor ainda com os índices de hedge funds macro do mercado”, conclui Ricardo Seabra.

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