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Quando é que os investidores deverão começar a preocupar-se com o high yield?


O high yield é um segmento de mercado no qual muitos investidores de obrigações entraram, seduzidos pela atratividade de um cupão maior. De momento, a dívida de alto rendimento mostrou uma grande resistência apesar das saídas de dinheiro, que chegaram a ser elevadas nas últimas semanas. “Achamos as perspetivas para o crédito destes emissores pouco inspiradoras. Na verdade, estamos preocupados com o impacto do aumento das taxas de juro nos Estados Unidos para as empresas que pediram empréstimos de forma abundante na era do dinheiro fácil”, reconhece Luca Paolini, estratega chefe da Pictet AM. Historicamente, as obrigações high yield, foram a classe de ativo mais vulnerável perante uma intensificação das restrições monetárias. Mas… quando é que os investidores deverão começar a preocupar-se com o comportamento da dívida de high yield?

É necessário estar atento a alguns sinais. Um deles é a própria evolução económica pela relação estreita que tem com o rácio de defaults, o principal risco quando se investe em high yield. “Tem de acontecer uma forte queda da atividade económica para que os incumprimentos disparem. Historicamente, foi assim. Quando a economia contraiu, os defaults aumentaram bastante. A evolução económica é o canário na mina. Também a inversão da curva, mas, por agora, os segmentos longos continuam a pagar mais do que os curtos”, explica Sasha Evers, diretor geral da BNY Mellon IM para a Ibéria e América Latina. Atualmente, o nível de incumprimentos está em mínimos e a questão é que nenhum destes fatores tem a capacidade de prever se o rácio vai disparar a curto-médio prazo.

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Por agora, os defaults não só estão baixos como também se encontram na zona de mínimos históricos. Para o próximo ano, na J.P. Morgan AM esperam que na Europa continuem abaixo dos 1% e que nos Estados Unidos se movam no intervalo dos 1-2%. De acordo com Moody’s, nos Estados Unidos, o setor de bens de consumo é o que apresenta um risco maior de default (ver gráfico 2), mas, em termos gerais, o risco de default mantém-se em níveis muito contidos.

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Não obstante, isto não deve baixar a guarda do investidor. Na empresa americana recomendam estar atentos a vários cenários. “A nível fundamental, é importante prestar atenção à possibilidade de acontecer uma deterioração significativa da qualidade do crédito ou focar-se na possibilidade de as empresas estarem a mostrar um comportamento próprio de ciclos maduros, como por exemplo, aumento dos seus níveis de dívida em vez de os reduzir, ou utilização dos seus rendimentos para realizar operações de fusões e aquisições ou pagamento de dividendos”, sublinham

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O mercado de high yield também poderá enfrentar problemas devido a motivos puramente técnicos. Neste sentido, na J.P. Morgan AM consideram que poderá acontecer uma avalanche de anjos caídos (emissores BBB cuja classificação de crédito é destituída de investment grade para high yield) ou um aumento dos fluxos de saída que nos Estados Unidos poderão dever-se à preocupação sobre as valorizações e na Europa pelo risco político. Por último, irá estar o efeito que a política dos bancos centrais poderá ter sobre o mercado de high yield. “As preocupações em relação à retirada de incentivos quantitativos poderão aumentar, impulsionando os spreads de crédito e as yields, à medida que as autoridades monetárias se tornam menos acomodatícias”, afirmam da J.P. Morgan AM. Nos Estados Unidos, historicamente o crédito é a classe de ativos mais vulnerável, especialmente os emissores de alta rentabilidade.

Segundo o estratega chefe da Pictet AM, “há que ter em conta que em 2019 a Reserva Federal pode subir duas ou três vezes as taxas antes de realizar uma pausa no meio do ano e que os spreads de crédito tendem a aumentar antes de uma mudança importante do mercado, sendo o ajuste das condições financeiras e as margens dos primeiros sinais de stress”. Na opinião de Paolini, outros riscos incluem a liquidez muito baixa do mercado (a dívida empresarial nos Estados Unidos multiplicou para os 5,5biliões de dólares durante a crise), elevadas emissões e proporção muito maior de investidores de retalho. São, em todos os casos, aspetos aos quais os investidores de high yield atuais têm de prestar muita tenção para não se queimarem.

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