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“Qualquer benchmark é uma pobre representação das oportunidades disponíveis no mercado”


Mathias Born desempenha funções na Allianz Global Investors desde Outubro de 2009, tendo uma larga experiência na indústria. Actualmente é responsável pela gestão dos fundos zona euro estilo crescimento.

Qual é o processo de investimento?

Acreditamos que o desenvolvimento a longo prazo do preço das acções é impulsionado pelo aumento nos resultados das empresas e ‘cash flows’. Dentro dos mercados accionistas da zona euro, uma sustentável ‘outperformance’ pode ser alcançada através de todas as fases do ciclo de negócio por meio de todo um processo de investimento bem fundamentado, estilo ‘bottom up’ com base na selecção de acções. Identificamos acções com ganhos estruturais acima da média e um crescimento de ‘cash flows’, cujo mercado ainda não tenha divulgado antecipadamente. O nosso objectivo é seleccionar empresas com fortes franquias tendo em conta aspectos essenciais ao nível macro e, assim, poder criar um ambiente no qual estas empresas possam “florescer”. Para isso, recorremos bastante à nossa plataforma interna e global de ‘research’.

Qual o vosso universo de investimento?

O nosso universo de investimento inclui todas as acções cotadas na Zona Euro. A nossa abordagem para um crescimento estrutural foca-se num agnóstico ‘benchmark stock picking’. O grande sucesso da nossa estratégia tem por base o facto de acreditarmos que qualquer ‘benchmark’ é uma pobre representação das oportunidades disponíveis no mercado. Consequentemente nós não nos restringimos às nossas ‘off-benchmark' posições.

Como escolhem os activos nos quais pretendem investir?

Nós pretendemos identificar acções com ganhos estruturais acima da média e um crescimento de ‘cash flows’, não esperados comummente pelo mercado. A fim de criar uma carteira à frente do mercado e durante todo o ciclo de negócio nós temos que antecipar o crescimento estrutural que está menos dependente do PIB do que o crescimento cíclico. A componente deste crescimento estrutural pode ser impulsionada por tendências históricas de mercado, liderança tecnológica ou um modelo de negócio superior, que, ao longo do tempo, deva levar a uma expansão global relativamente ao mercado. Apenas uma empresa com uma vantagem competitiva pode alcançar margens e retornos superiores durante um longo período.

Qual é o tipo de abordagem feito: bottom-up, top-down ou uma mistura?

Estritamente ‘bottom up’, agnóstico no que refere ao ‘benchmark’ e focada no crescimento estrutural.

Qual é o património e composição da carteira do fundo?

No final de Maio, os activos do fundo excediam os 6 mil milhões, incluindo Zona Euro, Europa e fundos europeus sem Reino Unido.

Qual é a rotação da carteira?

Como estamos a investir num horizonte de longo prazo de 3 anos ou mais o nosso ‘turn over’ é baixo, aproximadamente 30%.

Quais são as vossas expectativas de rendibilidade para os próximos doze meses?

Nós não especulamos sobre expectativas de rendibilidade. Estamos confiantes que teremos melhores resultados do que a maioria dos grandes índices de acções no longo prazo.

Quais podem ser as vantagens deste fundo em relação aos da concorrência e simultaneamente os pontos considerados mais fortes para este prémio?

Trata-se de manter a nossa filosofia orientada para ‘stock picking’ numa lógica de investimento a longo prazo e de trabalhar num ambiente onde temos liberdade para agir desta forma.

Qual é a sua visão do sector financeiro nacional? Tem exposição a bancos? De que tipo?

A nossa visão em relação ao sector financeiro é bastante limitada. Também temos que distinguir entre banco e outras empresas do sector. Nos possuímos alguns nomes de seguradoras mas quase nenhuma exposição a bancos e nenhuma a Portugal. A nossa exposição ao sector era já muito limitada antes da crise financeira de 2008.