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Qualidade, longo prazo e confiança são palavras de ordem para investir nos emergentes


“Penso que há muita “gíria” no mercado à volta deste tópico e pode ser confuso para os investidores”, começa por referir Alan Nolan, Product Specialist, da BMO Global AM, em conversa com a Funds People e no seguimento da sua participação na 3ª edição da FundsTalks.

O especialista destaca a transparência como um ponto crucial da sua estratégia já que na BMO GAM querem garantir que os portefólios refletem aquilo que é transmitido aos investidores. “Isto é extremamente importante quando falamos de ESG, sustentabilidade, impacto, etc., porque se falharmos ao satisfazer as expectativas dos nossos clientes, vamos perder a sua confiança”, explica Alan Nolan.

Além disso, o profissional julga haver um risco de que a proliferação de produtos com características ESG possa falhar na correspondência a essas expectativas e, por isso, preocupa-se com o facto de poder haver algum “green washing” a decorrer.

Alan Nolan revela que, no final do dia, apenas querem entregar os melhores resultados aos clientes e que a avaliação dos fatores associados com “ESG” seja sempre ser tida em consideração. “Se pensarmos em governança, particularmente nos mercados emergentes, como podemos investir num negócio onde não há confiança de que vamos ser tratados de forma justa por uma equipa de gestão competente? Isto é para nós o básico do investimento”, conta.

Panorama ESG

Quanto ao enquadramento dos critérios ESG na BMO GAM, o especialista afirma que em primeiro lugar olham para a qualidade da empresa que consideram ter um modelo de negócio sustentável, que gera dinheiro, que tem um forte balanço e uma excelente governança. “Queremos garantir  que podemos confiar nas pessoas com quem negociamos. Isto pode ser considerado como a adoção de uma mentalidade de proprietário do negócio, no entanto, percebemos que estamos a comprar parte de uma empresa e não simplesmente um instrumento financeiro”, menciona Alan Nolan.

Alan NolanSobre o processo de investimento que a entidade pratica, o especialista faz questão de assinalar que, apesar de ser uma questão primária, investir no longo prazo é algo em que acreditam. “Isto pode parecer básico mas na nossa experiência é algo que a nossa indústria adota mas que raramente mantém. São questões básicas e devem, na nossa opinião, fazer parte de todos os cenários de investimento”, afirma. O profissional explica ainda que um forte processo de research deve considerar todos os fatores relevantes possíveis ao avaliar uma empresa e que isso inclui fatores ESG. “Esses fatores podem ser mais ou menos relevantes dependendo de um negócio individual”, conclui.

A equipa de Investimento Responsável da BMO GAM é uma das principais na indústria da qual fazem parte 16 pessoas sediadas no escritório da entidade em Londres. Atualmente, assessoram 150 mil milhões de euros a terceiros e fazem o mesmo para a gama de investimentos responsáveis da BMO GAM. Quando questionado sobre esta grande onda verde de fundos no mercado, Alan Nolan, refere que “é bom ver muitos interessados neste segmento mas isso acarreta riscos. O mercado vai ajustar-se à procura e temos de ser extremamente diligentes para que quem quiser investir compreenda plenamente o que pode esperar dos seus investimentos e o que realmente pode ser alcançado, ao mesmo tempo em que também aumenta sua riqueza a longo prazo”.

Mercados emergentes

Os mercados emergentes são, por natureza, mais arriscados do que os mercados do países desenvolvidos. O profissional refere que devemos ter uma grande capacidade para identificar riscos ao implementar capital. “Também não nos podemos esquecer que os mercados emergentes estão no início do seu desenvolvimento, por isso, os fatores que podem ser considerados como padrão podem ser estranhos nos nossos mercados", acrescenta Alan Nolan.

A estratégia do BMO LGM Responsible Global Emerging Markets junta as fortes capacidades da LGM Investments e os conhecimentos de ESG da equipa de Investimento Responsável da BMO GAM. Juntos avaliam os impactos das tendências de sustentabilidade global e identificam as fontes de riscos e oportunidades de ESG. “Após a sua criação em 2010, a estratégia construiu um track record de longo prazo ao entregar retornos sustentáveis e superiores ao investir em empresas de alta qualidade que desempenham um papel  crucial ao enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável nos mercados emergentes”, conta o profissional.

Alan Nolan refere também que seguem uma abordagem bottom-up e procuram empresas de grande qualidade com o objetivo de fazer crescer o valor absoluto do capital do cliente ao longo do tempo. “Investimos em empresas que: possuem um modelo de negócio sustentável; têm balanços robustos e fluxos de caixa previsíveis e estáveis e mostram  consistentemente um elevado retorno sobre o capital investido, e que provaram a sua força nos ciclos económicos.”

Entre as principais posições que o fundo tem em carteira estão o HDFC Bank, o maior banco do sector privado na Índia com uma quota de mercado de 7%, e a Vitasoy International, uma empresa de bebidas com foco em produtos baseados em soja, listada em Hong Kong e com uma capitalização bolsista de 3,5 mil milhões de dólares. Sob a alçada da Sustainable Livelihood Initiative, o HDFC Bank fornece acesso a serviços financeiros a mais de dois milhões de consumidores rurais (maioritariamente mulheres) na Índia nos últimos cinco anos. Já a Vitasoy beneficia de ventos favoráveis à medida que os consumidores se tornam mais conscientes da sua saúde e começam a ingerir mais proteínas baseadas em plantas, como o leite de soja.

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