Qual terá sido o comportamento da alocação dos fundos perfilados moderados?


O ano começou com um sentimento positivo, mas a meio de janeiro começaram a fazer-se sentir os efeitos do coronavírus à medida que o vírus atravessava fronteiras e se espalhava a nível global. Apesar de no primeiro mês do ano ainda não se antever as proporções que o surto, agora já denominado pandemia, ia tomar, os mercados já refletiam aquilo que agora sabemos que se concretizou: a elevada volatilidade e as variações agressivas dos diferentes ativos de risco. Isto porque, como indica Paulo Joaquim, da GNB Gestão de Ativos, o COVID-19 “veio introduzir uma nova variável inesperada”.

“Após um final de 2019 onde perdurou um sentimento particularmente positivo para os ativos de risco e com o início de janeiro a pautar pelo mesmo sentimento, a segunda quinzena do mês acabou por marcar um alteração relevante a esse padrão, com a volatilidade a subir e boa parte dos índices acionistas a encerrarem o mês em território negativo, em especial os mercados emergentes, com o MSCI EM a cair 4,7%”, explica o profissional que tem a seu cargo o NB Equilibrado. Na mesma linha Pedro Vieira, gestor da IMGA, refere que “a propagação do coronavírus veio tornar o outlook económico mais incerto, o que levou a um ajustamento nos mercados financeiros. O impacto do mesmo dependerá da dimensão da sua propagação e do tempo que demore a ser controlado, sendo que os indicadores de atividade já estão a ser afetados negativamente”.

Terá este fator influenciado a alocação dos fundos perfilados moderados nacionais? Utilizando dados da Morningstar Direct, de janeiro de 2020, analisaremos a evolução média da alocação dos fundos perfilados moderados ao longo dos últimos dois anos, focando-nos neste início de ano atípico nas classes de ativos e geografias das carteiras médias dos produtos. Vale referir que uma vez que os fundos lançados durante o período em estudo apenas são considerados nas médias três meses após o seu lançamento, a gama de fundos perfilados da BPI Gestão de Activos não entra nesta análise.

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Nas palavras do gestor do IMGA Alocação Moderada, Pedro Vieira, “os mercados obrigacionistas apresentaram performances positivas em janeiro, a beneficiar da queda das taxas de juro e do estreitamento dos spreads, enquanto os mercados acionistas registaram, na sua maioria, desvalorizações”. Além disso, o profissional explica que no mês “o euro desvalorizou face às principais moedas mundiais e as matérias-primas registaram perdas, com o ouro em contraciclo a apresentar uma valorização superior a 3,5%”.

No que concerne a alocação por categoria global, a alocação a ações desceu 1,8%, talvez por receio das descidas que mais tarde se vieram comprovar por conta da incerteza causada pelo COVID-19.

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“O mercado de dívida governamental teve um mês positivo beneficiando do maior nível de aversão ao risco em outras classes de ativos, nomeadamente no mercado acionista”, revela Paulo Joaquim.

Em termos de alocação do segmento de fixed income por subcategoria, não se registaram variações significativas face ao último mês de 2019. Contudo, e como se pode verificar no gráfico acima, houve um aumento de 0,49% na alocação a obrigações de dívida soberana.

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Relativamente à alocação geográfica da componente obrigacionista, esta manteve-se praticamente igual a dezembro já que a variação mais elevada foi a da exposição a ações da América do Norte que desceu 0,48%.

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Um movimento igual foi sentido na alocação geográfica da componente acionista. Neste segmento também não foram verificadas alterações de destaque, tendo a mais elevada sido, tal como no sector obrigacionista, a exposição a ações da América do Norte que desceu para os 12.76%, valor que revela uma ligeira queda de 0,12%.

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