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Quais são as consequências do acordo do Allfunds com o BNP Paribas


(Análise de Rodolfo Crespo, consultor de Distribuição e Estratégia na NMG Consulting.)

Novo acordo estratégico do Allfunds num ano de atividade frenética para a plataforma europeia líder em ativos sob gestão. O acordo, que envolve uma operação corporativa e múltiplos clientes novos para o Allfunds, impacta fortemente o mapa europeu de plataformas e acarreta algumas dinâmicas muito interessantes.

Impacto para o mercado

Ao ser o BNP Paribas um dos maiores distribuidores de fundos do continente e ao contar com várias plataformas internas, o salto em ativos para o Allfunds vai ser importante. À falta de números oficiais, o bilião (europeu) de euros não vai ficar muito longe disso.

Para começar, o Allfunds passa a ser a plataforma de banca correspondente líder em Itália, um posto que até agora ostentava o BNP Paribas Securities Services. Este negócio passa a ser um jogo a três entre o Allfunds, a Société Générale (que não vendeu esta parte à MFEX) e a State Street.

Assumindo que todo o aglomerado da BNP Paribas passa a usar o Allfunds, o acordo acrescentará à lista de clientes da entidade espanhola uma série de plataformas retail entre as que se destacam:

  • BNP Paribas Cardif (B2B com assessores) em França.
  • Consorbank (B2C) na Alemanha.
  • DAB Bank (B2B com assessores) na Alemanha.
  • Hello Bank! (B2C e B2B para assessores) na Áustria, Bélgica e França.

Isto significa a presença em França pela primeira vez e competir taco a taco com o Attrax pela liderança na Alemanha.

Equity story e regresso dos bancos para o capital

Se o futuro do Allfunds passar por uma entrada na bolsa, este tipo de acordos são sem dúvida a melhor carta de apresentação face ao mercado. Dez anos de lucros constantes procedentes de um dos maiores grupos financeiros do mundo justificam mais uns milhões de euros de valorização.

Em troca, o Allfunds volta a contar com dois grandes grupos financeiros no seu capital, o Credit Suisse e o BNP Paribas. É provável que esta nova estrutura de capital seja vista como uma perda de independência, mas é justo reconhecer que o Allfunds lidou com sucesso com esta perceção até 2017.

Consolida-se um novo modelo comercial

Cada contrato com um grande distribuidor vale o seu peso em ouro num mercado finito e as principais plataformas estão a pôr a carne toda no assador para os conseguir. O interessante é que todo o peso comercial dos novos acordos recai sobre as gestoras. Nenhuma plataforma vai ganhar um distribuidor se o fizer pagar.

Este modelo não tem motivo para ser mais transparente que o inglês, onde as gestoras não podem pagar nada à plataforma. Não obstante, é de esperar que os reguladores na Europa continental analisem a conveniência deste modelo em algum momento. Ainda que as gestoras também beneficiem e muito da existência de plataformas, estão de certo modo a subvencionar um serviço de outsourcing para a distribuição.

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