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Propostas de Fixed Income que fazem mais sentido para 2017


2017 deverá ser um ano díficil para a classe de fixed income. Isto faz com que sejam muitas as vozes que recomendam fundos globais e flexíveis, que permitam aos gestores mover-se livremente pelos mercados para capturar as melhores oportunidades de investimento. Segundo os resultados da sondagem que a Funds People faz todos os anos, junto de quase duas dezenas de gestoras internacionais, 33% recomenda como primeira opção um produto com estas características, enquanto que 28% consideram que a estratégia mais acertada é a de apostar num produto fixed income de curto prazo. As propostas das entidades são diversas e entre elas aparecem, inclusivé, fundos de high yield ou de mercados emergentes. As gestoras estão ordenadas por ordem alfabética, e cada uma apresenta um fundo:

Fixed_income_nov16O fundo escolhido por Beatriz Barros de Lis, para 2017, é o AXA WF Global Inflation Short Duration Bond. Segundo explica a diretora geral da AXA IM, o investimento em obrigações ligadas à inflação é muito interessante, já que existem poucos ativos cuja rendibilidade relativa seja yão atrativa, já que mantêm o poder de compra do investidores em todos os cenários. "Existe a crença de que apenas se ganha dinheiro neste tipo de ativos quando há uma recuperação da inflação, mas também podemos ganhar com a estabilização da inflação. É também muito interessante nos casos como o que acontece na Europa, onde a taxa de juro real das obrigações é negativa. Ou seja, a inflação (0,7%) é maior do que a taxa nominal da obrigações (muito pressionadas pelo programa de compra de ativos por parte do BCE). Neste caso, não só mantêm o poder de compra, mas também em relação às taxas nominais a rendibilidade é maior. O AXA WF Global Inflation Short Duration Bond é o primeiro fundo de obrigações ligadas à inflação de curta duração que foi lançado na Ibéria. Esta estratégia pretende atenuar o efeito da inflação e o risco de taxa de juro através de uma estratégia diversificada. Portanto, esta estratégia pode ajudar o investidor a cobrir o risco dos efeitos das políticas expansionistas dos bancos centrais e, ao mesmo tempo, proteger-se do risco de subida das taxas de juros, risco especialmente relevante em obrigações ligadas à inflação, dada a grande duração dos índices".

Maiores_Quotas_Imob_Nov16André Themudo considera que a melhor opção em obrigações para o próximo ano é o BGF Fixed Income Global Opportunities (FIGO), um fundo que combina as melhores ideias da BlackRock no mundo das obrigações com a capacidade de investir sem seguir um índice de referência, sem restrições a nível setorial ou geográfico e com o objetivo de criar uma carteira diversificada que consiga aproveitar ao máximo as oportunidades que no mercado de obrigações de hoje. Por exemplo, segundo explica o profissional da BlackRock, a duração da carteira pode oscilar entre os -2 e +7 anos. "Outra característica chave do fundo é o seu foco na gestão de risco. A equipa de gestão conta com ferramentas que lhe permitem analisar a exposição da carteira a mais de 4 mil factores de risco independentes, assegurando que cada exposição do fundo é bem analisada. Além disso, a parte da plataforma global de obrigações da BlackRock, dá à equipa de gestão um nível de acesso a informação, visão agregada do mercado e intercambio de ideiais entre as diferentes equipas especialistas, o que é dificil de encontrar noutras gestoras", explica Themudo.

A recomendação de Sasha Evers para o próximo ano é o BNY Mellon Global Dynamic Bond Fund, produto que é gerido pela Newton, especialista em investimento global, que identifica temas e tendências globais nos mercados de obrigações a longo prazo. Segunda explica o diretor geral da BNY Mellon IM para Ibéria, o fundo investe em mercados de obrigações, incluindo dívida soberana, investment grade, high yield e dívida governamental de emergentes. Além disso toma posições em moedas, gere a duração de forma ativa e utiliza derivados com o objetivo de reduzir a volatilidade da carteira e para a proteger. "Consideramos interessante este fundo porque é um estratégia de gestão ativa e sem restrições que, sem dúvida, é beneficiado por estratégias de investimento temáticas da Newton e por uma grande trajectória da sua estratégia, ativa desde 2006. É, além disso, um fundo que persegue a proteção de capital, algo que procuram os investidores conservadores no momento em que nos encontramos".

Captura_de_pantalla_2016-12-12_a_las_21 O produto selecionado por Mariano Arenillas é o Deutsche Invest I Short Duration Credit. Segundo explica o responsável da Deutsche AM para Portugal e Espanha, trata-se de um produto que investe em obrigações corporativas e financeiras de emissores globais, incluindo mercados emergentes. "Pelo menos 70% do investimento é realizado em emissores com grau de investimento, sendo que em high yield o máximo é de 30%. São, principalmente, emissões em euros. Os investimentos em dívida corporativa têm, atualmente, características de ativo refúgio num ambiente de crescimento sustentado, embora moderado, que é favorável para a dívida corporativa. A duração do fundo, entre 0 e 3 anos, permite obter rendibilidades atrativas com um risco de taxa de juro limitado", indica Arenillas.

A escolha de Sebastián Velasco é o FF Euro Short Term Bond Fund. Trata-se de um produto que investe principalmente em obrigações do Estado e corporativas com grau de investimento denominados em euros, com um duração média de até três anos, explica o responsável da Fidelity para Ibéria. "O BCE proporcionou um ambiente de rendibilidade relativamente estável nas obrigações em euros e pensamos que se irá manter em 2017. Estamos sobreponderados em dívida pública dos países periféricos, sobretudo Espanha, e em dívida corporativa estamos mais virados para o sector financeiro, já que os rácios de capital dos bancos estão a melhorar e são atrativos", assegura.

Se Ramón Pereira tivesse que escolher um fundo da Franklin Templeton Investments para seguir a classe de obrigações no próximo ano, o direto geral da gestora para Portugal e Espaha iria eleger o Franklin US Low Duration. "No atual ambiente de taxas de juro, as estratégias europeias de baixa duração oferecem yields to maturity a rondar os 0%. Numa estratégia como o Franklin US Low Duration, oferecenos uma rendiiblidade mais alta (classe coberta em euros) com o mesmo perfil de risco (volatilidade em torno de 1%). Acreditamos que é um boa opção para diversificar as carteiras que estão muito sobreponderadas em estratégias europeisa, com um perfil de risco similar e uma rendibilidade extra, explica o especialista.

A grande aposta de Lucía Catalán, responsável da Goldman Sachs AM para Ibéria e América Latina, é o GS Global High Yield. "A estabilização do preço de petróleo, assim como as medidas que o novo governo dos EUA vai tomar, poderão ser positivas para o mercado de High Yield. O fundo é composto por uma carteira muito diversificada de dívida high yield a nível global. O fundo foca-se no mercado americano (80-90% tem exposição aos EUA), mas pode aproveitar as oportunidades noutros mercados. A equipa de gestão é um dos maiores investidores de crédito corporativo a nível mundial e conta com um grande track record. O fundo segue um estilo de investimento conservador, com um gestão de risco exaustiva, como prova o nível de defaults na carteira, que esteve sempre abaixo do mercado desde do seu lançamento de 1998. O fundo conta com uma classe com duração coberta, para aqueles investidores que querem exposição ao risco de crédito em exclusivo, sem haver risco de duration".

O produto que Íñigo Escudero, diretor geral da Invesco para Ibéria e América Latina, teria na carteira no próximo ano seria o Invesco Global Total Return Bond. "O cenário da evolução das taxas de juro em 2017 vai requerer fundos muito flexíveis com equipas de gestão com muita experiênia. O Invesco Global Total Return Bond é um fundo de obrigações globais que se destaca pela sua flexibilidade, tanto no investimento nesta classe de ativos como na duração. Graças ao seu foco ativo e flexível, os gestores podem adoptar posições dinâmicas ou defensivas segundo as condicionantes do mercado. A estratégia da equipa de obrigações da Invesco é prudente e centrada em obrigações corporativas de alta qualidade que cotam sob o seu ponto de vista, a níveis atrativos. O fundo, gerido por Paul Read apresenta um comportamento muito consistente desde do seu lançamento. O fundo bate o seu grupo de comparáveis em praticamente todos os anos desde do seu lançamento em 2010", indica Escudero.

A escolha de Javier Dorado, diretor da J.P.Morgan AM para Ibéria é o JPM Global Bond Opportunities Fund. "Num cenário complicado para as obrigações, em que é provável que continuemos a ver divergências nas políticas monetárias dos diferentes bancos centrais, acreditamos que o JPM Global Bond Opportunities é um fundo muito bem posicionado e dotado da flexibilidade necessária para capitalizar as melhores ideias globais dentro do universo das obrigações. Este fundo já tem mais de três anos e apresenta um comportamente histórico muito atratico com um nível de risco moderado.É gerido por uma das maiores equipas de obrigações, que conta com muitos recursos a nível global para poderem desenvolver e implementar as suas ideias de investimento.

A grande aposta para o ano que vem de Javier Mallo, responsável da Legg Mason Global AM para Portugal e Espanha é o Legg Mason Western Asset Macro Opportunities Bond, um fundo de obrigações globais flexível, muito ativo, desenhado para maximizar a rendibilidade em qualquer ambiente de mercado com um limite de volatilidade. "É composto por uma carteira de obrigações onde investe estrategicamente e que se complementa com uma carteira tática onde se implementam estratégias macro (duração, curva e volatilidade) para gerar alfa ou proteger a carteira em momentos complicados. A sua duração oscila entre os -5 e os 10 anos. Graças à sua baixa correlação, proporciona uma grande diversificação face aos diferentes subsectores de obrigações e outros ativos como são as ações", explica Mallo.

"Como se esperava nos mercados, a Fed atuou, e prevêm-se sucessivos aumentos da taxa de juro durante 2017, em resposta às políticas económicas que o Donald Trump vai aplicar", afirma Ignacio Rodríguez Añino. Com isto, o responsável da M&G Investments em Portugal, Espanha e América Latina, acredita que os investidores em obrigações devem considerar o factor inflação dentro da composição das suas carteira. Para eles, na M&G contamos com o fundo M&G Global Floating Rate High Yield, que foi lançado em 2014 e é gerido por James Tomlins. O fundo recorre a obrigações de taxa variável high yield para mitigar o impacto da subida das taxas de juro. As rendibilidades que oferecem os cupões das obrigações ajustam-se, de forma automática, e trimestralmente, beneficiando-se de uma possível subida. Estas obrigações também oferecem um atrativo spread de crédito: a diferença de rendimento entre a dívida pública que é, tradicionalmentem considerada carente de risco e as obrigações emitidas por empresas. Durante este ano temos observado como é que os clientes começaram a mostrar mais interesse por este tipo de produto, o que responde à necessidade de exercer um maior controlo de risco dentro das suas carteiras de investimento, face a um ano que se prevê incerto desde o ponto de vista política como económico", afirma.

O fundo de obrigações escolhido por Sophie del Campo é o Natixis Euro Short Termo Credit. Segundo explica a responsável da Natixis Global AM para Ibéria e América Latina, trata-se de um dos produtos que mais procuraram os clientes. "Trata-se de um fundo de obrigações de curta duração, que é um complemento indispensável para a parte mais conservadora das carteira. Investe em obrigações com vencimento entre um e três anos, com controlo muito exaustivo do risco de crédito e um foco seletivo, podendo investir até 15% em obrigações de alto rendimento, que utiliza como fonte de diversificação. Conta com duas fontes de rendibilidade: por um lado, o posicionamento dinâmico entre os diferentes países e por outro, a seleção de emissores, que se baseia num rating interno centrado nos fundamentais do emissor. A equipa de gestão, liderado por Philippe Berthelot, um dos maiores especialistas em crédito europeu, e que conta com mais de 20 anos de experiência. Num contexto de possíveis subidas de taxas de juro, as obrigações corporativas a curto prazo apresenta-se como uma opção muito interessante, já que são capazes de oferecer um excedente de rendibilidade sobre os ativos monetários. Está pouco exposto a subidas de taxas de juro (vencimento a curto prazo), não existe um elevado risco de incumprimento por parte dos emissores, devido à proximidade da maturidade da dívida e além disso, poderá aproveitar a melhoria que a economia europeia está a experimentar".

A eleição para 2017 de Laura Donzella é o Nordea 1 - Emerging Market Bond Fund, produto que - segundo explica a responsável da Nordea para Ibéria e América Latina - se centra na dívida de mercados emergentes emitida em moeda forte (dólares). "Os gestores responsáveis por esta estratégia tiveram resultados satisfatórios na flutuação que abalou os mercados emergentes ao longo dos últimos 20 anos. A longevidade e a antiguidade dos gestores fornece alguma estabilidade à equipa e garantem a correcta implementação, ao longo dos anos, da mesma filosofia, com a introdução de melhorias. Juntamente com os gestores está uma equipa de sete economistas que colaboram com a experiência e os conhecimentos, o que é uma clara vantagem competitiva na altura de selecionar os países, já que não baseiam as suas decisões nas principais agências de rating, mas sim em rating internos e balanços de contas nacionais, de forma similar àquela que os analistas de crédito usam para estudar as empresas para determinar a sua insolvência, liquidez e desequilíbrios externos", afirma.

Captura_de_pantalla_2016-12-13_a_las_12 Com as rendibilidades em negativo, Gonzalo Rengifo reconhece que não existem muitas alternativas em obrigações e que a gestão tradicional não funciona. De facto, o diretor geral da Pictet AM para Ibéria e América Latina realça a enorme influência que existe por parte dos bancos centrais, fazendo com que as mini-crises sejam mais habituais. "É necessário uma gestão muito dinâmica e eficiente dos riscos. Mas é possível um perfil de rendibilidade estável, sem demasiados riscos direcionais, evitando prever eventos ou apostando em spreads de rendibilidade. Em concreto, o fundo Pictet Absolute Return Fixed Income, faz parte do universo global de obrigações e centra-se em temas estruturais a longo prazo, com 50% das posições a serem defensivas e líquidas e 50% mais agressivas, aproveitando as taxas de juro, os spreads e as moedas. O objetivo é ter rendibilidade entre os 0,2% e os 0,3% ao mês, 3 a 4% por ano, acima da liquidez, com volatilidade muito controlada, historicamente 2,3%, explica Rengifo.

Captura_de_pantalla_2016-12-13_a_las_10 A escolha de Almudena Mendaza, diretora geral da Pioneer Investments para Ibéria é o Pioneer Funds - Global Subordinated, um fundo de alta qualidade creditícia que procura encontrar rendibilidades similares às de high yield, investido em dívida financeira subordinada, dívida híbrida corporativa e preferencial, com um foco global e sem risco de divisa. "O produto tenciona alcançar rendibilidades similares às da dívida high yield investindo, principalmente, em emissores com grande qualidade creditícia. Investe em dívida financeira subordinada, dívida hibrida corporativa e preferencial com um foco europeu (embora também possa investir de forma global) e sem risco de moeda. A equipa centra-se em obrigações emitadas por empresas investment grade (o risco médio da carteira deve ser grau de investimento), seguindo um processo com duas fases (emissor e estrutura). A seleção das obrigações apoia-se numa equipa de 25 especialistas com uma experiência sólida em dívida subordinada. O fundo mantém, em geral, algum peso em liquidez", explica Mendaza.

"Depois de três anos de saída de capital dos mercados emergentes, em 2016 os investidores voltaram a inclui-los nas suas carteiras, revertendo a tendência no que diz respeito aos fluxos. Apesar da correção imediata que aconteceu na dívida emergente após a vitória de Trump, acreditamos que este ativo irá oferecer oportunidades interessantes em 2017, já que a nível fundamental, técnica e de sentimento está a acontecer uma melhoria significativa", explica Carla Bergareche, diretora geral da Schroders para Ibéria, que considera que num ambiente de baixas taxas de juro, incluir esta classe de ativos numa carteira de longo prazo é uma boa ideia, já que oferece rendibilidades mais atrativas para um investidor conservador. "Embora se trate de um ativo tradicionalmente associado ao maior risco, o Schroder ISF Emerging Markets Debt Absolut Return aplica um foco de retorno absoluto, com um objetivo duplo de maximizar a rendibilidade a cada ano e preservar capital em períodos consecutivos de 12 meses, reduzindo o risco e a volatilidade. O fundo investe em moedas e em obrigações locais e internacionais (obrigações soberanas, corporativos e convertiveis) em mais de 50 países. É um fundo long-only e de retorno absoluto baseado em análise de profundidade de cada país, que não usa alavancagem nem derivados complexos. É gerido de forma ativa e têm como objetivo atingir uma rendibilidade positiva em qualquer periodo de 12 meses, maximizando a rendibilidade ao mesmo tempo, com um risco controlado mediante limites de diversificação baseados na liquidez, limites de perdas na carteira (stop-loss) e recurso à liquidez".

A perspetiva da UBS Asset Management sobre as obrigações europeias de high yield é atrativa. "Embora as rendibilidade dos créditos europeus sejam baixas, as margens não o são e acreditamos que existe um poderoso argumento de que o mercado de high yield está relativamente atrativo em comparação com outras áreas desta classe. Além disso, a baixa duração do índice, de três anos e meio, poderá atuar como amortizador face a uma subida das taxas de juro, embora isto não esteja provado. Não obstante, devemos ter em conta que os fundamentais sobre high yield europeu seguem débeis quando se analisam detalhadamente e a incerteza política segue como uma preocupação chave", afirma Juan Infante, responsável da gestora para Ibéria. A sua aposta concreta para o próximo ano é o UBS Euro High Yield.

 

 

 

 

 

 

 

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