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“Procuramos clubes que tenham capacidade de promover jogadores no mercado internacional”


O Soccer Invest Fund é um dos três fundos de jogadores de futebol em actividade em Portugal e o único que não é de nenhum clube – os outros são de Benfica e Sporting -, sendo notória a presença de atletas ligados ao Futebol Clube do Porto (FC Porto).

Uma aposta que António Aranha, gestor deste fundo especial de investimento mobiliário fechado, justifica com a capacidade do clube de gerar valor e de estar presente de forma regular em competições internacionais.

“O que é que nós como investidores queremos? Rentabilizar a carteira. Pelo que procuramos encontrar clubes que tenham a capacidade de promover os nossos jogadores no mercado internacional, se eles forem efectivamente bons. Se  nos interessa tirar proveito das transferências para outro clube, até hoje, e nas últimas décadas, o clube com projecção internacional e com presença permanente nas montras que são as competições europeias, com uma gestão capaz de produzir valor nesses activos, tem sido o FC Porto”, afirma. “Tivemos já jogadores que, apesar de terem contrato com o FC Porto, estiveram a jogar em outros clubes, como por exemplo o Braga, onde mantiveram visibilidade internacional”, sublinha o gestor.

António Aranha não descarta, contudo, o investimento nos direitos desportivos de um jogador de outro clube, até porque o regulamento de gestão o permite. Actualmente, o Soccer Invest Fund tem direitos económicos dos jogadores Djalma Abel Campos (25%), Eduardo Silva (10%), João Moutinho (15%), Jorge Fucile (5%), Juan Iturbe (15%) e Mikel Agu (10%), de acordo com a composição da carteira do final de Outubro.  Em Julho foram feitas duas alienações e duas aquisições e, no início do próximo ano, com a reabertura do mercado em Janeiro, o gestor deixa em abertura a possibilidade de haver novas transferências. “Estamos a aproximar-nos de uma altura em que existe algum dinamismo no mercado, é possível que sim”.

Desde que iniciou actividade (Maio de 2011), o fundo já fez cerca cinco, seis transacções, umas com mais-valias e outras em que estas foram quase inexistentes ou reduzidas, sendo que o valor do direito desportivo vai sendo desvalorizado enquanto está em carteira, à medida que a duração do contrato se reduz, sendo o ganho/perda apurado quando é concretizado o negócio.  “Devemos ter uma carteira diversificada e que tenha alguma protecção face a essa desvalorização”, refere António Aranha, acrescentando que do património do fundo devem constar valores dos quais não se esperam “mais-valias extraordinárias, mas que sejam considerados valores seguros”;  e jogadores jovens, com potencial, onde possam estar “alocados montantes muito mais baixos”.

Fundos parceiros dos clubes

Numa actividade desportiva que é também uma indústria relevante a nível nacional, que todos os anos movimenta milhões de euros,  há uma função de parceira entre fundos e clubes que o gestor do Soccer Invest Fund destaca.

“Os clubes encontram nos fundos que têm esta vocação parceiros que lhes permitam partilhar um pouco do risco e dos proveitos de uma transferência”, afirma, referindo ainda a importância que têm nesta relação num momento em que o acesso a financiamento é mais difícil.

António Aranha salienta ainda este veículo como alternativa às aplicações mais tradicionais. “ Se eu alocar a este tipo de investimento um pequena parte do meu portefólio é uma forma de o diversificar, numa actividade que não está correlacionada com a economia”, destaca.

O Soccer Invest Fund tem um valor líquido global de 3,4 milhões de euros.

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