Problemas da Europa em cima da mesa com investidores a aguardar movimentações das ‘yields’


Os últimos seis meses foram relativamente tranquilos no que refere à crise da dívida que dominou atenção dos investidores entre 2011 e 2012, no entanto a crise na ilha cipriota veio relembrar que os problemas na Europa não estão solucionados. Embora o Chipre representa apenas 0,2% do produto interno bruto europeu, trata-se de um país importante numa perspectiva de análise da fragilidade do sistema bancário europeu. Os problemas do Chipre não emergiram devido a um excessivo desequilíbrio entre a receita e despesa pública, mas sim devido a um sistema bancário demasiado grande quando comparado com a dimensão de toda a economia cipriota.

O resgate anunciado na passada segunda-feira deverá estabilizar o país no curto prazo, especialmente porque o pacote de ajuda foi desenhado no sentido de diminuir o tamanho dos bancos e proporcionar um “alívio” no longo prazo à semelhança do que é expectável acontecer com a implementação de medidas e outros programas de ajuda por toda a Europa. Contudo, o acordo não resolve todos os problemas e o Chipre continua a enfrentar uma forte recessão e o sistema bancário europeu, no seu todo, continua descapitalizado e vulnerável a choques. Isto apesar da União Europeia ter concordado em aprofundar a integração bancária, a implementação tem sido lenta. Esta continua a ser uma questão politicamente controversa, e com eleições na Alemanha, em Setembro, é improvável que se verifique qualquer progresso real até final de 2013 ou início de 2014. “Entretanto, acreditamos que o sistema bancário europeu continuará a ser uma fonte de risco sistemático nos próximos meses”, acrescentou Russ Koesterich, CIO da BlackRock.

‘Yields’ das obrigações do tesouro ainda devem subir

As ‘yields’ das obrigações ainda devem subir mas não rapidamente enquanto os mercados gozarem do bom momento que caracterizou o início deste ano. No entanto, as obrigações do Tesouro permaneceram relativamente estáticas. Muitos observadores de mercado aguardam uma subida das ‘yields’ mas a mesma ainda não se verificou. Uma das razões principais é a denominada “grande rotação” nos activos, com a saída de fundos da classe de obrigações e entrada na de acções ainda não se ter efectivado. Os fundos de acções têm registados influxos significativos, mas os de obrigações ainda constituem alvo das opções dos investidores, indicando que o dinheiro que circula no mercado é proveniente de posições em liquidez.

Além disso, vários factores importantes estão a condicionar o rendimento das obrigações do tesouro. O mais importante, é o facto da Reserva Federal Norte-americana ainda estar a comprar instrumentos de mercado monetário e prever-se que essa situação se irá manter até meio deste ano. Mesmo que a Fed decidisse terminar o programa de compra de títulos não o fará de forma repentina, mas sim gradualmente.   

Além disso, continuamos a ver uma falta de emitentes em muitas outras áreas do mercado de obrigações. Com a Fed a ser o tal comprador importante de novas emissões de obrigações, simplesmente não há uma grande quantidade de nova oferta para o mercado absorver e isso condiciona, igualmente, o rendimento destes títulos. Neste sentido, as obrigações do Tesouro continuam pouco atractivas e na BlackRock sugerem que o foco vá para os sectores do crédito no âmbito do mercado de obrigações, incluindo ‘high yield’, obrigações hipotecárias e dívida de mercados emergentes.

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