Primeiras reações das gestoras internacionais à operação do Santander e Popular


As gestoras internacionais já comentaram a operação celebrada entre o Santander e o Banco Popular. A primeira a pronunciar-se foi a Aberdeen, que o fez  através de Laurent Frings, diretor de análise de crédito da entidade, que considera que estamos perante a crónica de uma morte anunciada. “A operação não é uma grande surpresa. O regulador esteve à procura de uma solução para os problemas do Popular durante uma temporada e o tempo esgotou-se. Estamos perante uma prova de fogo para o Mecanismo Único de Resolução, que se criou como resposta à crise na zona euro para tentar tornar mais seguro o sistema bancário. É a primeira vez que se converteram na totalidade valores AT1, que é uma classe de dívida que pode ser convertida sob determinadas circunstâncias”, recorda.

Para Frings, o sucedido não deveria representar nenhum problema real para outros bancos ou para o sistema bancário espanhol em Espanha ou na Europa. “É essencialmente um caso em que a regulação está a fazer aquilo para a qual foi criada, embora se mostre que há um risco real quando se investe em nomes de segundo nível no sector bancário”, assegura. Os acionistas do Popular, que perderam o seu dinheiro, estão a sofrer esse risco, e serão afetados também os detentores de obrigações. Antes de ser anunciada a operação, a capitalização do Popular rondava os 1.300 milhões de euros. Ao ter-se realizado a um euro, esse valor que o Popular tinha em mercado ficou a nível zero, pelo que os acionistas perderam 100% do capital que tinham em títulos da entidade. O mesmo acontece aos que tinham em carteira CoCos (contingent convertible notes) ou dívida subordinada do banco, cujo valor em mercado era de 2.000 milhões de euros. 

Segundo explicam da Robeco, o plano de resolução do Popular deixa claro que a dívida financeira subordinada pode ver-se gravamente afetada quando um banco se vê condenado ao resgate. “No caso do Popular foram executados tanto o capital, como a dívida subordinada, e a dívida LT2 foi convertida em ações por um euro, pelo que também foram executadas. Ainda não é claro se a dívida sénior será afetada. Encontramo-nos perante um caso pouco frequente, que sublinha a importância de realizar uma rigorosa análise bottom-up que nos permita evitar os bancos de pior qualidade. Em geral, quando a situação de um banco é preocupante, a dívida AT1 implica um maior risco do que a LT2. Se a almofada de capital de um banco se reduz, a dívida AT1 será a primeira afetada, já que absorverá as perdas mediante um cancelamento do cupão, uma execução da dívida ou a sua conversão em ações. Isto não representa um risco para a maioria dos bancos, com algumas exceções, como o Deutsche Bank”, afirmam da gestora holandesa.

No que diz respeito à entidade presidida por Ana Botín, os analistas financeiros da Robeco acreditam que o impacto sobre o capital mínimo de qualidade (CET1) do Banco Santander será neutro porque provisionará 7.200 milhões de euros adicionais para os ativos imobiliários do Banco Popular. “O Santander propôs que o seu CET1 fully loaded, que incorpora todas as exigências de Baseileia III para 2019 embora com os dados atuais, supere os 11% em 2018 e que esta operação tenha um impacto neutro ou ligeiramente positivo sobre o seu CET1, que alcançava os 10,66% em março deste ano”.

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