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Primeiras reações das gestoras à nova descida das taxas por parte Fed


A Reserva Federal volta a dar um passo e baixa novamente as taxas de juro. O banco central cortou mais 25 pontos bases no preço oficial do dinheiro nos Estados Unidos, que se situa agora entre 1,75% e 2%. Com esta medida, Jerome Powell procura proteger a economia americana do abrandamento do crescimento global e as consequências da batalha de taxas, um autêntico quebra-cabeças para a Fed pelos contornos que tem. “A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China intensificou-se o suficiente para minar a confiança na estabilização do crescimento económico. A Fed pode atenuar, mas não evitar as perturbações geopolíticas”, assegura Evan Brown, chefe de estratégia de ativos macro na UBS Asset Management.

“Não podemos deixar de pensar que o Comité perdeu uma oportunidade para dar um passo mais firme”, lamenta Rick Rieder, responsável de Investimentos em Obrigações da BlackRock. O especialista sente falta de um corte de 50 pontos base para poder dizer que é o único que faz falta neste ponto de metade do ciclo. Mas, para aplicar esta medida, Powell não vai ter a vida fácil.

Até ao momento, o presidente da Fed não encontrou obstáculos para aplicar uma política monetária mais flexível. Não obstante, o que vai acontecer a partir de agora é uma incógnita, já que a Fed está dividida. Dois membros desmarcaram-se e votaram a favor de manter as taxas, como em julho, enquanto Bullard, da Fed de St Louis, votou desta vez a favor de um corte de 50 pontos base.

“Os dados económicos recentes não foram impecáveis, mas certamente também não apontam para uma recessão iminente nem para a necessidade de que a Fed baixe as taxas. A produção industrial, a utilização da capacidade, a confiança no mercado da habitação, a confiança dos consumidores e as vendas a retalho... todos esses superaram as expectativas na semana passada. A inflação geral manteve-se estável, enquanto que a subjacente acelerou. Se, neste contexto, a Fed optar por baixar as taxas, não poderá deitar as culpas legitimamente aos dados publicados. Restabelecer a flexibilização quantitativa será um erro ainda maior”, assegura Aaron Anderson, vice-presidente sénior de análise da Fisher Investments.

Por outro lado, está o tema da inflação, que continua sem alcançar os níveis que procura a autoridade monetária. “A robustez contínua no mercado laboral ainda não gerou a inflação salarial que se acredita ser necessária para impulsionar em alta a inflação geral. O problema é mais que técnico: afeta a forma como reagirá a Fed às futuras notícias económicas”, destacam da Legg Mason Global AM.

Interpretando o gráfico de pontos

O que se passará a partir de agora com a política monetária nos EUA? Um elemento que certamente decepcionará os investidores é que o gráfico de pontos com as projeções das taxas da Fed não mostra um consenso em torno de novos cortes este ano.

“A mediana dos pontos indica que não existirão mais mudanças este ano e no seguinte, e os sete membros que esperam outro corte este ano praticamente não compensam um pelotão de membros favoráveis ao endurecimento das condições monetárias que prefeririam acabar o ano com taxas mais elevadas. Isto contrasta com os preços de mercado antes da reunião, que descontam de forma praticamente certa outro corte no final do ano”, assinala Tim Foster, gestor de fundos de obrigações na Fidelity International.

Neste ponto, coincide com Christian Schermann, economista dos Estados Unidos na DWS, que também interpreta que “o gráfico de pontos não dá sinais de se irão produzir mais movimentos nas taxas de juro em 2019 e 2020”.

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