BiG Research: Possibilidade de desaceleração económica global


Para este outlook 2020 o principal tema é a possibilidade de desaceleração económica global. Assim, estudamos o ritmo de crescimento das principais economias desenvolvidas, de modo a percebermos quais os sectores que mais contribuíram para o seu crescimento.

Relativamente aos EUA, esta economia está bastante dependente do crescimento dos serviços, já que o consumo interno representa 70% da economia. Com o nível de desemprego reduzido (<4%) e o alto crescimento de salários (>2,5%) acreditamos que o robusto crescimento dos serviços irá sustentar o crescimento económico em 2020. A maior incerteza é a duração e impacto da guerra comercial que pode afectar alguns sectores industriais e provocar um arrefecimento na criação de empregos.

Já no que concerne a Europa, os países mais industrializados como a Alemanha e a Itália estão a sofrer negativamente com as tensões comerciais mas também com a desaceleração no sector automóvel. Antevemos uma continuação desta desaceleração antecipando uma recessão nestes países. França tem uma exposição maior ao consumo que tem demonstrado um crescimento robusto, no entanto as novas reformas impulsionadas por Macron enfrentam uma forte contestação social, tornando a tarefa de diminuição do défice muito difícil. Espanha apesar de ter demonstrado um crescimento acima da média europeia enfrenta uma crise política ainda por resolver, que já causou consequências adversas no sector da construção. Portugal tem crescido à boleia do aumento do turismo, o que no evento de uma desaceleração global, poderá complicar as contas do governo de redução do nível de dívida sobre o PIB.

No Reino Unido, por sua vez, prevê-se uma vitória do partido Conservador que já prometeu avançar com o soft Brexit. Neste cenário esperaríamos uma recuperação do sentimento de confiança de empresas e consumidores que impulsionariam o crescimento económico da região.

Na Europa, antevendo uma continuação da política monetária expansionista do Banco Central Europeu, vemos valor ao nível do mercado de dívida na dívida soberana Italiana a 10 anos, apesar do difícil enquadramento económico. Vemos os riscos já presentes na yield atual e por isso existe espaço para uma contracção da mesma devido à falta de alternativas de investimento e à procura elevada por yields.

Nos EUA, o ambiente macroeconómico é bem mais favorável não existindo para já intenção por parte do FED para a subida de taxas de juro pelo que se torna interessante a dívida soberana a curto prazo (T-bills). O USD no entanto poderá desvalorizar, o que tornará menos atractiva esta opção para um investidor europeu.

Na Europa, em termos de mercado acionista, preferimos os sectores tecnológico (crescimento atractivo), saúde(defensivo e resiliente), bens domésticos(exposição ao aumento do consumo) e imobiliário(taxas de juro continuarão baixas), e evitamos os sectores automóvel (está a entrar numa fase negativa do ciclo) e media (concorrência forte de empresas americanas). Gostamos também de empresas Small Cap no Reino Unido pela exposição à economia doméstica que deve crescer a um ritmo elevado em 2020 depois da recuperação de confiança de empresas e consumidores.

Já no que diz respeito ao petróleo a oferta (devido ao desrespeito da Rússia e de outros membros da OPEP aos cortes acordados) irá exceder a procura (que deverá desacelerar com o abrandamento global).

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