Portugal tem um dos mais baixos investimentos de private equity em relação ao PIB


Após termos analisado como se posiciona o mercado nacional de private equity e venture capital face à Europa e quais são as tendências que o têm marcado, voltamos a olhar para o relatório “Avaliação da OCDE sobre o Mercado de Capitais de Portugal 2020: Mobilizar o mercado de capitais português para o investimento e o crescimento", publicado recentemente, para apurar as características do perfil dos investidores, dos investimentos e do desinvestimento neste segmento.

Começando por olhar para os diferentes tipos de investidores que protagonizam as injeções de capital, o relatório da OCDE revela que são os bancos, o setor público e os fundos soberanos que têm um lugar de destaque. “Estas duas categorias de investidores respondem por quase 90% da fonte de financiamento durante os períodos 2007-2012 e 2013-2018.”

Isto contrasta com o que é observado noutros países europeus. A nível europeu, os fundos de pensões parecem responder pela maior parcela de fundraising, seguidos pelo setor público e fundos soberanos. Os investidores de retalho e fundos de fundos também desempenham um papel importante, fornecendo mais de 10% do capital. Nos últimos anos, a participação dos recursos captados no setor público e em fundos soberanos, bem como nos fundos de pensões, aumentou significativamente, enquanto os bancos correspondem a uma parcela menor dos fundos.

Investimento

“Portugal tem dos mais baixos investimentos de private equity em relação ao PIB”, diz a OCDE. Como podemos observar no gráfico abaixo, nos últimos 5 anos, o rácio do investimento de Portugal em relação ao PIB é apenas metade do nível europeu agregado, uma vez que o investimento private equity representa 0,2% do seu PIB, um número baixo quando comparado com outros países europeus.

Segundo revela a OCDE, durante o período de 2014-2018, em Portugal os buyouts representam 56% do investimento total, enquanto, por exemplo, em Espanha e Itália os buyouts representam 69% e 77% respetivamente. “Esta percentagem comparativamente baixa de aquisições em Portugal contribui em parte para o baixo nível de investimento”, acrescenta a OCDE.

O investimento growth representa mais de 30% do investimento total em Portugal no período 2014-2018. O rácio do crescimento do investimento em relação ao PIB em Portugal é de 0,06%, o que é realmente superior ao da maioria dos países europeus.

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No lado B do gráfico, podemos ver que nos últimos anos há uma tendência crescente do investimento growth. Em particular, em 2018 assistiu-se a um aumento deste tipo de investimento, uma vez que representou mais de metade do investimento total de private equity em Portugal. “O capital de risco encontra-se relativamente subdesenvolvido em Portugal, representando apenas 0,02% do PIB, face ao nível europeu de 0,04%”, explicam no relatório.

Ao olhar para os negócios de buyout percebemos que o baixo investimento em Portugal é principalmente motivado pela falta de grandes negócios. Em Portugal, nos últimos cinco anos, houve apenas um grande negócio que representa 20% do valor total do investimento.

Quanto às indústrias, os bens de consumo e serviços; produtos e serviços comerciais; a tecnologia, incluindo biotecnologia, saúde, computadores e biotecnologia, representam quase 80% do investimento total em privare equity na Europa”, explica a OCDE. “Portugal não é exceção, pois estes três setores representam quase 60% do investimento total. O país tem a menor participação em bens de consumo e serviços (12%) entre os seis países europeus da figura, bem abaixo de Espanha (38%) e Itália (33%). Paralelamente, Portugal detém a quota mais elevada (11%) em produtos químicos e materiais, três vezes superior à europeia (3%)”, esclarece a OCDE.

Metade dos investimentos de private equity em Portugal são conduzidos por fundos estrangeiros, em comparação com a Europa onde 67% dos investimentos são de empresas de private equity nacionais.

Desinvestimento

A atividade de desinvestimento na Europa atingiu o seu nível mais baixo durante a crise financeira, à medida que avaliações mais baixas desaceleraram as saídas. Desde 2012 que tem percorrido um caminho de recuperação. Contudo, caiu significativamente em 2018 para 32 mil milhões de euros. Como conta a OCDE “um dos motivos da desaceleração recente foi o aumento do período médio de detenção”.

Portugal registou o nível de desinvestimentos mais baixo em 2010 e posteriormente registou-se uma tendência algo positiva. A sua atividade de desinvestimento também atingiu o pico em 2015 com 451 milhões de euros e 107 empresas, e diminuiu ligeiramente nos últimos três anos com uma média de 283 milhões de euros. Em Portugal, as formas de saída mais populares são o reembolso e a recompra.

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