Portugal emite 1.000 milhões de dívida de longo prazo


Na mais recente ida ao mercado o Estado português emitiu um total de 1.000 milhões de dívida de longo prazo. Este valor traduz-se em 654 milhões em obrigações do tesouro a 8 anos e 346 milhões a 17 anos.

Nas obrigações a oito anos, a yield não foi além dos -0,085% e a procura superou a oferta 2,36 vezes. No caso das obrigações 17 anos – com vencimento em outubro de 2028 – a taxa fixou-se nos 0,472%, a procura superou a oferta 2,29 vezes.

“O risco de Portugal tem estado estável e descendente nos últimos meses, com a dívida a 10 anos a atingir mínimos do ano 0,136%. Este movimento permitiu a emissão de dívida a 8 anos com uma taxa negativa, aliás é o terceiro leilão do ano para maturidades longas onde tal foi possível, sendo que nos outros dois a maturidade dos leilões foi mais curta, 6 anos”, comenta Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa. O profissional explica ainda que “a descida do risco nacional acompanhou a tendência de todas as dívidas soberanas europeias, onde outros países também viram as suas taxas de referência de longo prazo atingirem mínimos”.

Segundo Filipe Silva, “o contínuo suporte do Banco Central Europeu associado ao facto de que iremos ter taxas baixas por um período longo de tempo, tem levado os investidores a procurarem investimentos onde ainda seja possível ter um retorno positivo ou menos negativo versus outras alternativas. Os níveis atuais de taxas de emissão de dívida, têm permitido baixar significativamente o custo do serviço da dívida nacional”.

Na mesma linha, Joachim Fels, assessor de economia global da PIMCO, numa entrevista à FundsPeople, comentava que acredita que a situação monetária continuará a ser acomodatícia não só a curto como também a médio prazo. Tanto que num relatório que a gestora publicou recentemente é referido que as taxas na maioria das economias desenvolvidas se vão manter nos níveis atuais ou até mais baixos nos próximos três a cinco anos. Não é claro se a flexibilização monetária conseguirá, contudo, aquilo que é quase sempre o seu primeiro objetivo: impulsionar a inflação, algo que, segundo Fels, parece estar agora mais nas mãos dos Governos do que dos bancos centrais. “Friedman enganou-se quando disse que a inflação era um fenómeno monetário, é agora um fenómeno fiscal”, afirma.

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