Porque se ressentiu a rentabilidade do fundo Fidelity America?


Desde que passou a ser responsável pelo FF America Fund – que detém os selos Favorito dos Analistas e Blockbuster Funds PeopleÁngel Agudo tem sido capaz de obter rentabilidade absolutas superiores ao seu benchmark. No entanto, o comportamento do fundo ressentiu-se no primeiro trimestre de 2017, chegando ao ponto de na Fidelity admitirem que “foi o período mais difícil para o fundo numa perspetiva do ambiente e, consequentemente, dos resultados”. A gestora fornece algumas explicações sobre este mau desempenho a curto prazo, ainda que defendam os bons resultados de Agudo a longo prazo.

O que correu mal?

A rotação de estilos que voltou a favorecer o factor growth durante o primeiro trimestre, aliado à queda do preço do petróleo, foram dois obstáculos importantes para o produto, que apresenta uma vertente claramente value. A seleção de valores em consumo, indústria e tecnologia foram, também, negativos para a rentabilidade.

É necessário clarificar a seleção de valores tecnológicos para compreender melhor a estratégia de investimento do gestor: “a filosofia de Ángel é que a Bolsa não é eficiente quando é necessário valorizar empresas que passaram por um período de dificuldades e que, como tal, não contam com o benefício do mercado”, destacam na gestora. Agudo destacou-se pela sua habilidade de enfrentar o mercado, investindo em ações subvalorizadas.

Seguindo estes princípios, o FF America perdeu o bom comportamento dos grandes valores tecnológicos americanos (Apple, Facebook, Amazon, Netflix e Google), e isto levou as rentabilidades relativas para níveis baixos. O gestor defende a sua decisão: “os rácios destas empresas da moda tinham aumentado consideravelmente durante os últimos anos, mas há que ter em conta que uma possível revisão negativa da sua valorização, ou alteração do sentimento do investidor, poderá gerar uma queda importante nestes valores”. É aqui que surge outro dos obstáculos que caracteriza a gestão de Agudo, o seu forte controlo dos riscos de queda: só compra valores que apresentem uma ampla margem de segurança, cujos fundamentais sejam sólidos e que tenham tendências negativas.

Na Fidelity insistem na necessidade de manter uma perspetiva de longo prazo quando interpretam o comportamento do fundo: “é importante destacar que Ángel adota uma visão a longo prazo na hora de assumir posições e a maior parte das suas ideias demoram algum tempo a materializar-se”. De facto, destacam que “apesar da recente correção, não se produziram grandes contratempos na carteira devido a erros estratégicos”.

Além disto, depois das últimas vendas que se registaram em ações norte-americanas, o gestor mostra-se “ainda mais otimista sobre a evolução a longo prazo das suas posições”. Em grande parte devido ao facto de se estarem a encontrar diversas oportunidades em empresas que viram a sua cotação reduzida e que oferecem margem de progressão.

Perspetivas e crescimento

A bolsa norte-americana apresentou um bom comportamento relativo, com menor volatilidade em comparação com outros mercados. O ambiente macro acompanha este contexto, observando-se uma melhoria dos indicadores como a confiança dos consumidores e dos investidores. Paralelamente, o dólar passou por uma breve situação de aperto e a normalização das taxas de juro está a ser um fator positivo, porque as condições económicas mantêm-se estáveis.

Os dois grandes senãos neste ambiente são os níveis das margens – em máximos históricos – e o alto nível das valorizações. Na Fidelity destacam que as valorizações médias são superiores à média histórica, mas, independentemente disso, ao analisar os valores distintos constata-se que existe uma clara divergência “entre as empresas com valorizações elevadas sob a ótica histórica e a que estão cotadas em mínimos, já que os mercados têm sistematicamente castigado as empresas que defraudaram as estimativas consensuais, ainda que o tenham feito de forma marginal”.

A previsão da gestora é que as empresas que se encontram no segundo, terceiro ou quarto escalão da maioria dos sectores não superem as que lideram nos próximos dois ou três anos, ainda que apresentem lucros comparáveis, pelo que se apresentam como uma oportunidade de investimento para Agudo.

O último fator de apoio que destacam na gestora é que “os investidores ainda não estão a ter em conta o impulso que o crescimento de algumas das políticas de Donald Trump trarão”. Dão como exemplo a reforma fiscal das empresas: “poderá alterar as perspetivas de forma considerável, especialmente se contemplar um imposto para as importações, que, provavelmente, tirará o aumento da inflação e do dólar. A repatriação de dinheiro também poderá atuar como um estímulo adicional”.

Agudo nunca assume posicionamentos estratégicos em função dos acontecimentos políticos. No entanto, como resultado do seu stock picking, a carteira do FF America está bem posicionada de forma a beneficiar de algumas das promessas eleitorais de Trump. Por exemplo, através da sua alocação ao sector de defesa, onde o gestor investe há muito tempo: “tendo em conta a necessidade cíclica de gastos na defesa, aliada à importância que Trump dá a esta área, as empresas de defesa poderão ser interessantes numa perspetiva de investimento”.

O impulso liberal e desregulador prometido por Trump pode também ter um impacto positivo nos sectores energético, telecomunicações e financeiro, aos quais o produto tem exposição. No caso financeiro, espera-se que beneficie de forma adicional do ambiente de subida das taxas.

A conclusão da Fidelity relativamente a este ambiente do mercado é clara: agora, mais que nunca, os investidores precisam de apostar num estilo de investimento com experiência de gestão ativa: “é muito importante que sejam seletivos neste ambiente no qual as margens estão forçadas e as valorizações são elevadas, e a ênfase que Ángel dá à seleção de valores pelos fundamentais orientada para os títulos subvalorizados deverá impulsionar a rentabilidade a longo prazo”.

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