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Porque é que quase 75,1% dos portugueses continuam a investir depois da reforma?


Artigo de opinião de Carla Bergareche, diretora geral da Schroders para Espanha e Portugal. Comentário patrocinado pela Schroders. 

Para muitos, a ideia de reforma envolve o afastamento do stress da vida quotidiana. Não obstante, dado o aumento dos custos de vida e o reduzido nível das taxas de juro, talvez a sociedade tenha que começar a pensar de que forma pode fazer com a que as suas poupanças gerem retornos adicionais durante a reforma. 

O nosso Global Investment Study 2018 concluiu que 75,1% dos portugueses continua a investir durante os seus anos dourados, uma percentagem bastante mais alta do que a média global (70,5%). Em média, os portugueses que ainda não se reformaram dedicarão cerca de 8,3% das suas poupanças para a reforma para continuar a investir. No caso dos já reformados, este número é ainda superior, chegando a alocar 11,3% das suas poupanças para a reforma para o investimento.

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Os custos de vida, superiores ao esperado, e o reduzido nível das taxas de juro poderão fazer com que muitas pessoas tenham que fazer malabarismos com o seu orçamento ou ajustar as suas expectativas para a reforma. O Estudo revela que o investidor médio espera que os custos de vida representem 29,9% das suas poupanças para a reforma. Não obstante, os já reformados afirmaram dedicar 45,2% das suas poupanças para a reforma para estes gastos, em linha com os europeus (50%).

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O possível deficit nas taxas de poupança poderão levar a que os investidores se vejam obrigados a ajustar as suas expectativas relativamente à reforma. Por exemplo, as pessoas ainda no ativo afirmaram que esperam dedicar, em média, 15,4% das suas poupanças para a reforma em viagens e hobbies. Por outro lado, os reformados portugueses responderam que, atualmente, alocam apenas 11,9% a esta componente.

Os efeitos da crise financeira mundial, ainda que tenha ocorrido há uma década, ainda se fazem sentir. Embora a economia tenha recuperado da recessão posterior à crise, muitas das medidas aplicadas para evitar o colapso da economia continuam em vigor. Isto teve enormes repercussões no custo de manutenção e rentabilidade das poupanças.

Por exemplo, em muitos países a inflação está a aumentar a um ritmo superior ao juro proporcionado pelas poupanças numa conta bancária. Trata-se de um problema de especial relevância para os reformados que, no passado, dependiam parcialmente do retorno derivado destas poupanças. Atualmente, quer queiram simplesmente complementar os seus rendimentos para a reforma ou estejam a pensar em deixar capital para a herança, investir uma maior proporção das poupanças é uma opção que merece ser considerada.  

As rentabilidades dos investimentos afetam o nível de rendimento que a poupança para a reforma possa gerar. Ainda que a história não possa servir como guia sobre a rentabilidade futura, pode-nos ajudar a repensar a situação. Uma norma geral nos Estados Unidos, proposta pelo assessor William Bengen, é que a percentagem ideal que se deve utilizar da poupança para a reforma é de 4%, começando com uma taxa de levantamento de 4.000 dólares num portefólio de 100.000 dólares e aumentando esta quantidade em função da inflação. Retirar mais capital acarreta o risco de liquidar as poupanças em 30 anos.

Não obstante, esta norma foi estabelecida a meados da década de 1990, quando o contexto do investimento era bastante diferente do atual. Com rentabilidades inferiores e uma esperança de vida superior, poderá ser necessário ajustar esta norma e reduzir essa percentagem de 4% em função das suas próprias circunstâncias financeiras.

Concluímos, assim, que os reformados se estão a adaptar a uma nova realidade investindo uma maior percentagem da sua poupança. Além disso, aqueles que se aproximam dos seus anos dourados deverão repensar de que forma investirão depois da reforma para alcançar as suas necessidades de rendimento.

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