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Porque deverá o investidor estudar o investimento em acções brasileiras


A foto macroeconómica que tira do Brasil é muito atraente. A economia carioca tem pela frente um longo período de crescimento económico, impulsionado pela combinação da procura interna, abundância de reservas naturais, redução da inflação e estabilidade política.

No futuro, isto vai continuar assim, o que eleva significativamente o atractivo deste mercado accionista. Assim acredita Alex Gorra, director da BNY Mellon ARX, uma empresa especializada em gestão de recursos de terceiros, com sede no Rio de Janeiro, ao afirmar que as favoráveis expectativas que giram em torno do Brasil fazem, neste momento, interessante a adopção de um posicionamento cíclico das carteiras.

Numa apresentação a clientes realizada por Gorra em Madrid, revelou qual o cenário base que contempla para o próximo ano. Nele, conta com um crescimento da economia brasileira de 4% - uma percentagem que duplicará consoante a evolução do PIB este ano - e uma inflação que, apesar de se situar acima do fixado pelo Banco Central, estará em linha com taxa de 2012 (cerca de 5,3%). "O Brasil é uma economia mais orientada para os serviços do que para a produção, pelo que as melhores oportunidades de investimento se encontram nas entidades financeiras e empresas de consumo", sectores sobreponderados no BNY Mellon Brazil Equity Fund.

Na hora de se aproximar à bolsa do Brasil, o director da BNY Mellon ARX defende uma estratégia baseada nos fundamentais. "Seguimos um estilo de gestão no qual a valorização é um factor chave. A nossa estratégia passa por abstrairmo-nos do ruído e identificar aqueles negócios que se sairão mais beneficiados com a recuperação económica". Neste sentido, há um enviesamento da carteira no sentido de empresas cíclicas o que evidencia um determinado optimismo em relação à evolução da economia do Rio de Janeiro. "Actualmente, as valorizações que oferece o mercado são razoáveis, apesar de todo o trabalho de selecção ser crucial", afirma. Na sua opinião, as descida das taxas de juro expectáveis no Brasil, durante o próximo ano, serão, sem dúvida alguma, o melhor catalisador. "O corte nas taxas permitirá dividir de uma forma mais clara as oportunidades que oferece, no presente, o mercado de acções", indica. Para o conseguir, o gestor considera fundamental contar com uma equipa de gestores e analistas que sejam capazes de entender o risco regulatório que afecta cada sector e analisar em pormenor cada empresa. Embora contemplem restrições no investimento para mitigar o risco de concentração, os gestores não seguem o índice, o que lhes permite investir por convicção.

A estratégia concreta da empresa

Gorra aposta por empresas nas quais a liquidez não constitui um problema, principalmente de média e grande capitalização, as quais, diz, comportaram-se melhor que as de menor tamanho. Para além da maior liquidez  das 'large cap' a sua volatilidade é inferior. A banca é o sector preferido, uma vez que considera que a sua evolução superará a de outros sectores. "O Governo de Dilma Rousseff quer fomentar o investimento e os bancos serão um dos grandes condutores". Também vê interessantes algumas 'utilities'. A importância da selecção é, quanto a Gorra, visível na forte volatilidade que ambos os sectores demonstraram nos últimos meses e que não se reflectiu no fundo. O processo de investimento começa com um filtro quantitativo do universo de investimento (200 valores), no qual os gestores analisam as estimativas de benefícios potenciais de crescimento, o preço, o risco, o dividendo e a liquidez da empresa. A partir daí, continua-se com uma análise fundamental (na qual se estuda o cenário macro, tendências, sectores, 'research' de analistas...) que dá origem a uma carteira concentrada formada por 60 empresas. Por agora, a estratégia está a dar resultado. Nos últimos meses, o BNY Mellon Equity Fund alcançou uma rendibilidade de 8,7%, quase dois pontos acima do índice de referência.

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