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PMI da Zona Euro perto da fronteira para a recessão


Com excepção dos EUA, o mundo vive uma situação de relativo baixo crescimento, especialmente na Z. Euro. Até os mercados emergentes estão longe do fulgor de 2005/7, especialmente os países BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China.

Com base no indicador Purchasing Managers Index da indústria (PMI) que traduz a saúde do sector em termos de produção e emprego, verificamos que a melhor evolução desde Setembro de 2012 até Dezembro de 2014 foi para não variar, nos EUA.

O indicador americano estava em Dezembro último nos 53,9, tendo no período analisado registado o valor máximo em Setembro de 2014 (57,5) e o valor mínimo em Outubro de 2012 (51). Em dois anos, o PMI da indústria americana nunca esteve abaixo de 50, a fronteira entre a recessão e a expansão.

Contrariamente, a Z. Euro registou o valor máximo dos últimos dois anos em Janeiro de 2014 (54), o mínimo em Outubro de 2012 (45,4) e em 25 observações, 10 ficaram abaixo dos 50, embora o valor de Dezembro de 2014 esteja perto (50,6).

Em Dezembro de 2014, o país que na Z. Euro de entre as maiores economias, registou melhor indicador foi a Espanha (53,8), contra 48,4 da Itália, 51,2 da Alemanha e 47,5 da França (o mais recente foco de preocupações na Europa).

Fora da Z. Euro, o Reino Unido registou um mínimo de 47,9 em Outubro de 2012, um máximo de 58,2 em Novembro de 2013 estando em 52,5 em Dezembro de 2014.

Os sinais de menor saúde do sector industrial na Z. Euro começaram a ser visíveis a partir de Março / Abril. O ano de 2014 até começou bem, com muitas expectativas em termos económicos e num bom comportamento das bolsas europeias, mas rapidamente estas foram desaparecendo (razões económicas e risco geo-político na Ucrânia).

Confirmando a velha máxima de que a bolsa reflecte o estado da economia, mais uma vez e contra as expectativas iniciais de muitos analistas internacionais, a performance das bolsas europeias ficou novamente aquém da bolsa americana. O índice Stoxx 600 registou uma evolução em 2014 de 5%, enquanto o índice S&P apresentou uma performance de 11,4%, a que devemos acrescentar a valorização do USD face ao €.

Mas se pensamos que a Europa está perto da fronteira entre a recessão e a expansão, o que dizer de algumas economias emergentes, nomeadamente os países BRIC? O Brasil e a Rússia bateram os máximos no início do período em análise: 53,2 em Janeiro de 2013 e 52,9 em Outubro de 2012 respectivamente. Em Dezmbro de 2014, o PMI da indústria do Brasil foi de 50,2 (mínimo de 48,5 em Julho de 2013) e o PMI da indústria da Rússia foi de 48,9 (mínimo de 48 em Janeiro de 2014).

Mesmo a China que registou um máximo de 52,3 em Janeiro de 2013 e um mínimo de 47,7 em Julho desse ano, fechou 2014 na fronteira dos 50 pontos (50,1).

Dos países BRIC, a Índia é o país que apresentou um valor máximo mais alto (54,7 em Dezembro de 2012) e um valor mais elevado no final de 2014 (54,5).

Pelos researchs que tenho lido, mais uma vez muitas casas financeiras apontam a Europa como um cenário de aposta em acções para 2015. Perante estes números do PMI e de outros indicadores e, tendo em atenção a underperformance dos últimos dois anos face ao índice S&P, poderemos estar certos dessa aposta? A experiência tem-nos dito que em tudo o que diz respeito à Europa, o melhor é mesmo “ver para crer”!

Vamos já ter uma prova de fogo no dia 25 de Janeiro com as eleições gregas.

Por isso, Sr. Draghi, falar não chega; é preciso passar da teoria à prática!

(Imagem: ogbdosolution, Flickr, Creative Commons)

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