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Pistas para medir o impacto real que o coronavírus pode ter na economia


No momento de escrever este artigo, os falecidos por contrair o coronavírus ascendiam a 132 quando se cumpre o primeiro mês desde que se conheceu a existência da epidemia. A fácil propagação e o facto de ter coincidido com a celebração do Ano Novo Chinês, com o seu consequente impacto em que a epidemia se globalize e que acabe a ter impacto no consumo interno da China e, por fim, no seu PIB, são duas das causas que fizeram com que muitos investidores tenham optado por desfazer posições em ativos de risco e comprar outros mais seguros com um claro protagonismo do ouro.

Não obstante, os especialistas coincidem em que é cedo para prever que impacto terá esta doença, não só o crescimento da China, mas também no PIB mundial num momento em que este tem poucas muletas para se apoiar. Ainda que a opinião maioritária seja que o impacto poderá ser mais a curto prazo do que a longo, tal como aconteceu com o caso do vírus SARS em 2003, no Bank Degroof Petercam dão algumas pistas que podem servir para afinar mais o impacto que o vírus podem ter na economia chinesa, a segunda maior do mundo atrás da americana.

Grau de contágio do vírus

“Quanto mais contagioso for o vírus, mais medo terão as pessoas de o contrair, o que terá um impacto negativo na atividade económica (menos viagens, saídas, gastos, etc.)”, afirmam na entidade. A este respeito, na ING Economics recordam que esse grau pode ser maior que o que se viu em 2003 com o SARS. “Ao contrário de 2003, quando o turismo chinês estava principalmente orientado para o interior, os turistas chineses tornaram-se num importante impulsionador do turismo mundial. Por conseguinte, a velocidade de propagação do vírus poderá ser mais rápida do que em 2003, enquanto o impacto negativo no crescimento mundial poderá ser também maior do que em 2003”.

É preciso ter em conta que, tal como recorda Thuy Van Pham, economista de Mercados Emergentes da Groupama AM, “até se o vírus permanecer limitado à China, o crescimento mundial poderá ser mais afetado do que durante a crise do SARS. De facto, o peso da China no PIB mundial mais do que duplicou, quase 20% em 2019 face aos 8,8% em 2003”.

Mortalidade do vírus

Até à data foram detetadas 132 mortes por causa do vírus e apesar do número, o certo é que de momento não parece tão letal como foi o SARS que, segundo explicam na Julius Baer, “infetou 8.000 pessoas e causou 800 mortes. Sendo que o pior período foi entre março e maio de 2003, antes de ser controlada em junho”. Além disso, não são poucas as empresas que apontam a que precisamente devido ao SARS, agora as autoridades chinesas estão a ser mais transparentes e mais ativas no momento de tratar desta nova pandemia. “A semelhança do vírus com o SARS permitiu às autoridades pôr em marcha procedimentos que funcionaram durante a epidemia de 2003 e as 14 sequências genéticas relativamente bem conservadas do vírus (sinal de uma baixa taxa de mutação) aceleram o desenvolvimento de tratamento de emergência eficaz”, afirma Bartlomiej Szabat-Iriaka, analista de Saúde da Edmond de Rothschild Asset Management.

Quando chegará a vacina

É precisamente a rapidez com que estão a atuar agora as autoridades chinesas que faz pensar que a vacina vai travar rapidamente a propagação da doença. De facto, segundo informou a agência estatal chinesa Xinhua, espera-se que antes dos 40 dias se possa começar a realizar testes à vacina produzida em conjunto pelo Hospital Oriental de Shangai e a empresa Stermina Therapeutics. Ainda que na Johnson&Johnson, que também está a testar vacinas, consideram que a sua demore até um ano.

Importância económica da região epicentro do vírus

Do Bank Degroof Petercam recordam que “a epidemia do vírus Ebola (2014-2016), que é muito mais contagiosa e mortal que o SARS ou o coronavírus, aconteceu na África Central, uma região de importância económica limitada e afastada das principais economias, o que reduziu o prejuízo”. O impacto que pode ter um abrandamento económico da China no PIB mundial é muito diferente.

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