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Pictet Nutrition: como investir num mundo mais saudável e sustentável?


Os últimos anos têm sido pródigos no surgimento de soluções alimentares mais saudáveis que aquelas que até então existiam. Se no passado as escolhas daquilo que comíamos era feita com base no sabor ou na conveniência, hoje assistimos a uma preocupação crescente com outro factor: o impacto na nossa saúde. No entanto, para além do impacto na saúde de cada um, os consumidores começam a tomar consciência que a forma e os alimentos que produzimos têm também um impacto direto (e bastante significativo) no ambiente.

Num contexto em que a saúde, e em particular a alimentação, são temas cada vez mais centrais, a Pictet AM lançou um produto focado na temática nutrição. Marie-Laure Schaufelberger, product specialist da entidade, esteve recentemente em Portugal para explicar de que forma se pode investir num tema tão fulcral não só para a saúde, mas também para a sustentabilidade do planeta: “Quando falamos numa vida saudável, não estamos só a falar daquilo que ingerimos, mas também do ambiente – da qualidade do ar, da água e dos solos”. Neste sentido, a especialista ressalva que aqueles que contribuem para a redução do desperdício, quer de comida, quer de recursos, serão os vencedores num futuro próximo.

Uma tendência que levou à reformulação de um produto

O Pictet Nutrition, apesar de se apresentar como uma estratégia nova, nasce da reformulação de um produto que a entidade disponibilizava: “Lançámos o Pictet Agriculture, um produto muito mais focado em projetos que visavam produção de maiores quantidades de comida. Mas, ao olharmos para este tema apercebemo-nos que existia cada vez mais um foco na saúde – o foco estava agora na qualidade e não na quantidade”, revela Marie-Laure Schaufelberger.

Neste sentido, reduziram por completo a exposição da carteira a alguns dos segmentos do sector agrícola (empresas de fertilizantes, pesticidas, entre outras), e concentraram-se exclusivamente nas empresas que contribuem para melhorar o acesso a alimentos de qualidade e para a sustentabilidade da produção desses alimentos. “É desta forma que definimos este tema”, explica a especialista. Esta alteração revelou ser uma oportunidade com um horizonte de investimento muito mais abrangente, mas não só. “Na verdade, ajudou a reduzir o efeito cíclico da carteira, uma vez que empresas como as de fertilizantes e pesticidas, por exemplo, estão muito mais dependentes dos ciclos de preços das soft commodities. O fundo ficou, assim, muito mais estável e com uma maior exposição a uma tendência de crescimento secular”.

Como e onde encontrar valor numa temática tão abrangente

Acompanhar e compreender as alterações que se têm vindo a registar no universo da alimentação é um passo fulcral, sendo que este tem estado em constante mudança, quer ao nível da produção e distribuição de alimentos, quer ao nível dos consumidores. O mercado da nutrição, segundo as estimativas da entidade, é de cerca de 3,9 triliões de dólares, com um crescimento anual de 4,4%. Outra dos aspectos importantes tem que ver com o facto de que “o universo de títulos listados tem vindo a crescer a um maior ritmo que o universo dos não-listados.

Neste sentido, a especialista revela que o espectro em que investem é bastante alargado: “Atualmente, a estratégia tem uma exposição de cerca de 23% ao segmento agrícola – a maioria inserida no espaço de agro-tech. O segmento de transformação e distribuição compõe 40%, sendo que o segmento alimentar corresponde a cerca de 36% do portefólio – mais exposto ao sector de consumo básico”. Não obstante, segmentos como packaging e reciclagem fazem também parte da carteira, estando, inclusive, entre as maiores convicções da entidade.

O processo de escolha dos nome incluídos na carteira é definido pela especialista como bastante minucioso, no qual é necessário que mais de 50% das vendas da empresa provenham da implementação de processos que melhoram a qualidade dos alimentos ou a sustentabilidade da sua produção. Trabalham, inclusive, com uma organização não-governamental chamada Access to Nutrition, cujo objetivo é avaliar que percentagem do portefólio de produtos das empresas alimentares é totalmente saudável (e sustentável). Desta avaliação resulta um nutritional governance score, que a especialista destaca que é o mais importante, uma vez que ajuda a responder à pergunta “de que forma está a gestão destas empresas a incentivar a transição para um contexto alimentar mais saudável?”.

Assim, a Trimble Navigation, Rational e Christian Hansen são exemplos de empresas que inovam no sector onde atuam, permitindo essa transição. “A Trimble Navigation é um exemplo bastante interessante do segmento agro-tech”, começa por dizer, acrescentando que “esta é uma empresa que desenvolve sistemas de rega de precisão e de monitorização dos solos, permitindo uma estratégia agrícola muito mais precisa”, completa. A Rational, por sua vez, é uma empresa que produz equipamentos de cozinha inteligentes. “Ainda que possa surpreender algumas pessoas, insere-se nesta temática bastante bem, uma vez que os seus fornos – o principal produto da marca – permitem cozinhar com uma utilização muito menor de energia e água que os fornos tradicionais”, explica. Por último, a Christian Hansen é uma empresa de produção de ingredientes, mais precisamente de enzimas lácteas. “Esta produção baseia-se num processo bastante antigo, que é a fermentação. Este é um processo que permite estender o tempo de conservação dos produtos, e a Christian Hansen é uma das empresas que inova neste sentido, tendo cerca de 1,1 biliões de dólares de vendas anuais estimadas”, destaca a especialista.

A composição do fundo apresenta, por outro lado, uma pequena inclinação para empresas de pequena capitalização bolsista. Apesar disso, apresenta exposição a grandes nomes do sector alimentar, como a Danone ou a Nestlé. “Este é um dos pontos mais interessantes deste produto, porque permite deter esta exposição a large players, mas também a empresas como a Trimble Navigation, Rational ou Christian Hansen, que são nomes menos comuns”.

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