Peso das seguradoras nacionais aquém de congéneres europeias


Sem investidores não há mercado de capitais. Todos os agentes de mercado sabem disso, e a OCDE, no relatório onde faz uma radiografia do mercado de capitais nacional, expondo recomendações para a melhoria do mesmo, fez entrar na equação de análise um retrato dos investidores institucionais tradicionais - fundos de pensões, fundos de investimento e seguradoras - no total de ativos geridos no mercado nacional. Uma fatia de investidores que, pelas contas da Organização, “desempenha um papel muito maior do que os investidores alternativos” - hedge funds, private equity e capital de risco - neste mercado. E não poderia estar mais certa, como a FundsPeople tem vindo a mostrar ao longo de várias análises no tempo, nomeadamente com dados da EFAMA que mostravam que em 2017 dos 70% de clientes institucionais da gestão de ativos nacional, 25% tratavam-se de empresas seguradoras.  

Deste modo, também a OCDE destaca o papel importante das seguradoras, a mais robusta categoria ao nível do que apelidam de investidores institucionais no mercado nacional, em 2019. 

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Fonte: Relatório "Avaliação da OCDE sobre o Mercado de Capitais de Portugal 2020: Mobilizar o mercado de capitais português para o investimento e o crescimento"

Contudo, em termos comparativos, Portugal fica aquém de outros congéneres europeus. A OCDE escreve que “apesar de as empresas serem a categoria com maior peso entre os investidores tradicionais em Portugal, o seu total de AUM em percentagem do PIB é relativamente pequena comparativamente com outros peers”.

 

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Fonte: Relatório "Avaliação da OCDE sobre o Mercado de Capitais de Portugal 2020: Mobilizar o mercado de capitais português para o investimento e o crescimento"

São baixos os números apresentados pela OCDE, que, como visível em cima, aponta que os AuM das empresas seguradoras compõem 28% do PIB nacional, bem abaixo dos 57% de Itália ou dos 72% da Alemanha

Seguradoras: o peso dos títulos de dívida

A própria alocação levada a cabo por estas instituições em Portugal difere dos outros países em análise. O relatório demonstra que em Portugal “a alocação de ativos das seguradoras apresentava apenas 12% de exposição a fundos de investimento do total de ativos, enquanto que os títulos de dívida representam quase 65% do total de posições”. Um número que fica longe dos números de França ou de Itália, que alocam 25% do total de ativos a fundos de investimento.

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Fonte: Relatório "Avaliação da OCDE sobre o Mercado de Capitais de Portugal 2020: Mobilizar o mercado de capitais português para o investimento e o crescimento"

Outra leitura é ainda feita sobre a alocação das seguradoras nacionais a fundos de investimento. A OCDE escreve que “os investimentos diretos em ações variam consoante país, mas numa menor extensão". Contudo, dizem, “é importante notar que a maioria dos investimentos diretos em ações estão em ações não cotadas, enquanto que os investimentos em ações cotadas feitos pelas seguradoras europeias acontece através de fundos de investimento”. Nesse sentido, acreditam que “a alocação a fundos de investimento pelas seguradoras portuguesas é também um forte indicador dos seus baixos investimentos diretos em ações cotadas”.

 

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