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Perspetivas para a indústria de hedge funds no ciclo económico atual


Tribuna patrocinada, assinada por Philippe Ferreira, estratega sénior, da Lyxor Cross Asset Research.

As estratégias alternativas, e especialmente os hedge funds, são estratégias de diversificação que tendem a alcançar melhores resultados do que os ativos tradicionais quando as condições de mercado são menos favoráveis. Têm características de baixa volatilidade, o que explica a razão pela qual os hedge funds têm atraído as atenções de muitos investidores institucionais depois da crise financeira mundial.

Atualmente, é amplamente reconhecido que a valorização dos ativos tradicionais é elevada. Como tal, os retornos esperados para este tipo de produtos baixaram consideravelmente. Ao mesmo tempo, a expansão da economia dos Estados Unidos, que começou em 2009, está bastante madura. Até final de 2017 tinha crescido durante mais de 100 meses, um período de crescimento muito mais longo do que os ciclos de crescimento médio que se verificaram no país desde 1960 (75 meses). Se a economia dos Estados Unidos não enfrentar uma recessão no início de 2018, uma possibilidade que parece improvável, trata-se do segundo período de crescimento mais longo da sua história. Por isso, parece credível que o Presidente Trump vivencie um período de recessão ao longo do seu mandato. Isto poderá impactar de forma significativa os ativos de risco dada a sua valorização elevada.

Por conseguinte, as condições de mercado são bastante favoráveis para os hedge funds a médio-prazo. No entanto, importa recordar que estes ativos são heterogéneos. Algumas estratégias encontram-se melhor adaptadas ao início de ciclos económicos enquanto que outras se adaptam melhor à situação atual. Tendo esta diferenciação em conta, abaixo propomos uma tipologia de estratégias de hedge funds de acordo com as condições de mercado.

No contexto económico atual, acreditamos que as estratégias que se focam no crescimento e na preservação de capital deverão obter melhores resultados. O seu beta é moderadamente baixo com o mercado de ações, e têm uma correlação média com os ativos de risco. Isto aplica-se a três estratégias para as quais mantemos uma recomendação de sobreponderação: arbitragem de fusões, fixed income arbitrage, low beta L/S credit e fundos diversificados Global Macro. A estratégia de arbitragem de fusões parece-nos particularmente atrativa considerando o seu beta baixo face a ações, o qual estimamos que seja de cerca de 10%. A estratégia de fixed income arbitrage também é apropriada para diversificar carteiras de obrigações longas num contexto em que se prevê que a rentabilidade das obrigações cresça. Esta estratégia tende a obter bons resultados quando a rentabilidade dos títulos aumenta.

Por outro lado, existem estratégias adaptadas para períodos de recessão. Nesta categoria encontramos as estratégias CTAs e market neutral L/S Equity. A sua correlação com os ativos de risco é mínima mas a longo-prazo pode ser mais difícil obter retornos atrativos. No entanto, é importante recordar que alguns fundos obtiveram resultados positivos a longo-prazo. Atualmente, adotamos uma posição defensiva relativamente a estas estratégias sempre e quando não prevemos uma recessão imediata. O nosso posicionamento atual é mais favorável a CTAs, atualmente com foco neutral, por oposição aos L/S Market Neutral subponderados. Isto deve-se ao facto dos CTAs terem uma estrutura mais diversificada do que os L/S Market Neutral em termos de classes de ativos e de exposição geográfica. Os L/S Market Neutral são também sensíveis a rotações sectoriais/factoriais das ações tendo em conta a sua alavancagem.

Finalmente, existem estratégias adaptadas às primeiras etapas dos cíclos económicos. O seu beta é elevado, o que faz com que beneficiem das recuperações do mercado. Estas estratégias incluem os L/S Equity Long Bias, distressed, directional L/S Credit e Special Situations. Importa destacar que este último tipo de estratégias também podem obter bons resultados nas condições de mercado atuais, apesar do seu beta elevado sugerir que será mais interessante como instrumento de investimento tático do que como posições estruturais.

Os fluxos de investimento em estratégias de hedge funds apoiaram parcialmente o mecanismo/relógio de investimento descrito mais acima: os investidores de hedge funds continuaram a investir em estratégias de beta baixo, CTAs e market neutral L/S antecipando a próxima queda de mercado. Estas duas estratégias foram as que atraíram o maior volume de entradas acumuladas ao longo dos últimos dois anos, segundo a eVestment. Em 2017, as estratégias de preservação de capital como o Global Macro também geraram entradas significativas. No entanto, como consequência de um bull market, as estratégias de início de ciclo como o directional credit y L/S Equity Long Bias também obtiveram subscrições significativas. Na nossa opinião, é demasiado cedo para investir de forma agressiva em estratégias como proteção a quedas de mercado mas também é demasiado tarde para investir em estratégias de beta elevado. Isto leva-nos a apostar numa recomendação de sobreponderação em estratégias de preservação de crescimento e de capital, como arbitragem de fusões, fixed income arbitrage, directional credit e L/S Equity Long Bias.

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