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'Performance' é informação que devia estar disponível


O presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco e de Desenvolvimento (APCRI) defende um aumento da informação prestada pelos operadores, nomeadamente na perspectiva de potenciar negócios futuros.

"A indústria tem de ser transparente na avaliação da sua rendibilidade, nao tem sido, penso que deve ser, e é uma pena. [Na associação] temos tentado fazer estudos de 'performance' e não temos conseguido", afirmou Paulo Caetano, em entrevista à Funds People Portugal. Enquanto operador, salienta, "a minha preocupação não é o fundo que estou a gerir hoje, é o que quero gerir amanhã, por isso tenho que mostrar a rendibilidade do meu fundo, a 'performance' é informação que devia estar disponível".

Para o presidente da APCRI "há duas informações que os associados deviam estar preparados para fornecer, de forma consciente e transparente; uma é falar sobre as operações, as boas e as más, e outra é a 'performance' dos fundos".

Em termos de actividade considera que há uma área de concentração em Portugal "que tem de acontecer ao nível de uma série de indústrias, o 'build up'", destacando que, actualmente, com os fundos de reestruturação, "há um conjunto de entidades que têm tentado fazer fusão de sectores, e isso é fundamental. Era interessante falar-se sobre isso, até porque há experiências de muito valor", referiu Paulo Caetano, salientando que "há muito espaço para este modelo, porque dá dimensão".

Quanto a perspectivas para 2013 diz, nomeadamente, que continuará a haver "operações que têm mais lógica e 'buyout', nomeadamente em cima de projectos 'build up'" e espera que "pelo menos as medias de natureza mais legal consolidem". Referindo-se à situação do sector, não só a estas medidas como também à captação de investidores, mostra-se confiante. "Acredito que vamos mostrar que conseguimos dar a volta a esta situação, temos pessoas disponíveis e boas para fazê-lo, temos bons operadores, bons técnicos, estruturas que estão preparadas para fazer esse investimento e dinamizar a economia, agora falta uma revolução ao nível do enquadramento jurídico-tributário". E diz que cabe também à associação "fazer um pouco esse papel, essa pedagogia".

Olhando para o sector, o presidente da direcção da APCRI considera que uma das explicações para "o resgisto baixo de investimento que tem havido é que as operações de capital de risco e 'private equity' resultam de uma rotação de carteiras baixa, o que leva a que a liquidez sob gestão vá diminuindo". O que significa que, sublinha, cada vez "há menos operações e os fundos qualquer dia começam a chegar ao fim, porque são fundos a 10 anos, e começa a haver também operadores a olhar para o exterior". E questiona: "Nessa altura vou vender o quê? O projecto, a equipa, a rendibilidade que estou a propôr - é evidente que esta depende muito do projecto -, mas, na essência, vou vender a equipa e o meu currículo", afirma Paulo Caetano.

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