Paulo Pacheco (Banco Português de Gestão): “A pandemia relembrou-nos que os tail risks podem ter efeitos devastadores na confiança dos investidores”


O ano de 2020 ficará marcado pelo Covid-19 e pelos choques simultâneos na procura e oferta. Nenhum modelo estatístico antecipava a crise que se abateu por todas as economias e os efeitos estão a ser devastadores, precisamente pelo efeito global desta crise. Neste sentido, os ativos transacionam afastados dos seus fundamentais, ancorados nos estímulos fiscais e monetários lançados pelas principais economias.

A premissa subjacente é uma recuperação rápida da economia, a iniciar-se já no segundo semestre, e um regresso aos velhos padrões comportamentais. Pelo menos, é aquilo que desejamos. No entanto, os riscos que enfrentamos ainda são elevados, nomeadamente, controlo da pandemia, insuficiência de medidas de suporte às empresas e famílias, desemprego generalizado e desconfiança sobre o peso das dívidas soberanas no produto. Para além destes fatores, as eleições americanas poderão ser foco de instabilidade, com o intensificar do debate eleitoral.

Em termos de produtos e estratégias, continuaremos a privilegiar a liquidez das carteiras, mesmo penalizando a rendibilidade. A pandemia relembrou-nos que os tail risks podem ter efeitos devastadores na confiança dos investidores.

Não conseguimos reduzir as nossas expectativas a um produto específico, mas julgamos que uma alocação diversificada às diferentes classes de ativos, exposição a diferentes riscos e uma perspetiva de longo prazo deverá produzir um resultado positivo para os nossos clientes.

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