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Pare, escute… e olhe a 360º para o ESG


Trata-se seguramente do tema do momento no panorama financeiro e, por isso, o desafio que se afigura aos profissionais de investimento é ainda maior. “Como se aplicam os critérios ESG pela casa gestora? De que forma abordam o investimento responsável? Essas estratégias vão aportar um verdadeiro valor à minha carteira?” – estas e outras questões passam seguramente pela mente de quem hoje em dia entra na incursão do investimento responsável. No caso da Nordea Asset Management, o interesse pela temática sobrepõe-se à própria origem da casa de investimento. “Está fortemente enraizado no nosso DNA nórdico”, atestou Cristian Balteo, Sales Director, da Nordea AM no evento Funds Talks. A entidade considera mesmo que este é um “dever fiduciário” que têm relativamente a todos os factores que estão relacionados com os investimentos dos clientes, sejam eles financeiros ou não.

_I5A3568A gama de fundos STARS bebe desta história ESG da casa, mas pode dizer-se que é vanguardista na sua abordagem. “Estes fundos procuram as empresas líderes em sustentabilidade do amanhã, com três objetivos principais”, explica Cristian, enumerando esses pontos. Em primeiro lugar, procuram empresas que estejam em conformidade com os standards ESG da Nordea, ou seja, “a premiada equipa de investimento responsável conduz uma profunda análise para perceber em que ponto se encontram as empresas ao nível dos factores ESG”. A visita regular a empresas assume a este nível uma extrema importância, de forma a que se assegure a incorporação de tais factores. O segundo objetivo assinalado é conciso: Bater o benchmark. “Tal como num fundo gerido ativamente, a geração de alfa é uma parte core da proposição de valor dos STARS”, explica. Por fim, o último objetivo é o mais lato e também ambicioso: “Criar um impacto duradouro”, que, com a promoção de mudanças nas empresas as atraia para os tópicos ESG. Mais uma vez o trabalho de campo é grande. “As nossas equipas organizam regularmente planos de engagement, fazendo uma avaliação dessas atividades com as empresas”.

Integração 360º

A estruturação de investimento responsável da Nordea é alargada, e abarca um grande leque de abordagens de Investimento Responsável, sendo um esforço da casa “integrar dados ESG nas metodologias de análise de todos os fundos geridos internamente”. Nos fundos da gama STARS, a integração ESG vai mais longe, e salta para um novo nível, estando o seu processo de investimento totalmente integrado e assegurado internamente pela já referida equipa de investimentos responsáveis premiada. “Cada posição nas estratégias STARS está sujeita a uma análise ESG de 360º, que olha tanto para os riscos ESG como para as oportunidades, sendo atribuída a cada uma dessas posições um rating A, B ou C de acordo com o nosso modelo de rating ESG proprietário”. Os gestores apenas podem investir em empresas classificadas com o rating A ou B, ou seja, as “empresas com um bom perfil ESG”. Adicionalmente, conta o vendas, “os resultados ESG são totalmente incorporados na análise competitiva e na avaliação da empresa”.

A ‘active ownership’ que a Nordea tenta assegurar na ligação com as empresas, também tem um lugar importante no processo de investimento da gama STARS. “Envolvemo-nos de forma pró-ativa com as empresas que entram nos portefólios da gama STARS quando vemos que existem riscos ESG que podem não estar a ser bem geridos, ou quando existem oportunidades nas quais não se está a capitalizar devidamente”, afirma. Para além disso, acrescenta, tentam que as empresas se envolvam em “determinados temas relacionados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável suportados pela ONU, tais como os direitos humanos ou as alterações climáticas.

Alta convicção

O fundo global desta gama, o  Nordea 1- Global Stars Equity Fund, vive da união de esforços de uma equipa muito experiente, que tenta entregar o que dizem ser um fundo de elevada convicção, que nasce de uma análise fundamental que obedece a três estágios primários.

“Verificar todos os ‘expectation gaps’” – este é um passo onde a equipa recolhe e analisa todos os dados relevantes de forma a verificar as próprias expetativas, mas também as do mercado. Segue-se o que chamam de identificação de “vantagens competitivas”, etapa em que acedem a “empresas estrategicamente posicionadas antes de investirem”. “Acreditamos que estas ‘tailwind stocks’ têm melhores oportunidades de longo prazo ao nível do lucro, e exibem menos riscos”, adianta. Finalmente, o passo das valuations, que configura a “ilustração numérica das expectation gaps, e que reflete a diferença entre a nossa avaliação e a do mercado”, diz Cristian, que acaba por resumir bem o objetivo do portefólio. “A construção da carteira está focada na criação de um portefólio balanceado das melhores ideias bottom up. A nossa minuciosa análise fundamental permite uma avaliação constante do risco/retorno ao nível das ações”, salienta.

“Batendo-se” com o MSCI World All Country, o fundo, geograficamente, não se desvia muito do índice, o que lhe confere um pequeno bias para empresas norte-americanas, que se materializa em cerca de 60% de exposição a esta região. Propõe-se a entregar mais de 3% retorno anual adicional (bruto de comissões) por ano durante um ciclo de investimento completo com entre 3%-5% de tracking error.

Voltemos ao primeiro parágrafo e às dúvidas dos muitos dos investidores que entram agora no trilho do ESG. “Como é que este tipo de investimento pode configurar uma ajuda em termos de downside protection?” Mais uma vez Cristian é convincente: “Numa era em que o valor intangível representa a grande parte do valor estimado de uma empresa, integrar variáveis ESG para melhor aceder às oportunidades de uma empresa através da sua cadeia de valor, mas também de forma a medir o impacto que estas variáveis têm no seu retorno, balanço e custo de capital, etc, só pode permitir a redução da exposição de um portefólio a riscos idiossincráticos e, por isso, limitar a probabilidade de performances negativas extremas”, conclui.

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