“Para nós Portugal é um mercado estratégico”


Apesar a evolução positiva do mercado de fundos nacional este ano, a directora-geral da Schroders Portugal e Espanha, considera que é preciso que os bancos avancem na reparação dos balanços e que os fundos voltem a ocupar um lugar de destaque para que haja um aumento nos activos sob gestão. Outro dos desafios para a indústria é a regulação, que irá trazer mudanças significativas.
 
Quais são as perspectivas que tem para Portugal?

O país está a fazer reformas, foi-lhe concedido mais um ano para cumprir as metas orçamentais, o que pensamos que é positivo porque alivia um pouco a pressão imediata sobre a economia, dá mais tempo para pôr em prática medidas. Nesse sentido acreditamos que é positivo. Portugal ainda tem muitas reformas a fazer, como Espanha, e penso que é importante que o BCE esteja disposto a fazer o necessário para manter o euro.

Durante este ano como tem estado a evoluir a actividade da Schroders em Portugal?

Somos uma equipa de 10 pessoas, sedeadas em Madrid, e temos como principal foco os clientes, tentamos estar o mais próximo deles possível, independentemente de onde estão situados. Portanto viajamos regularmente a Portugal, para os ajudar também em iniciativas de mercado quando existem oportunidades, tentar levar gestores de fundos e gestores de produto, ou organizando conferências como a que fazemos anualmente, onde abordamos as principais áreas em que estamos focados. Quanto ao negócio está sensivelmente 'flat' desde início do ano, mas estamos cá no longo prazo e para nós Portugal é um mercado estratégico, sempre tem sido, e tentamos dar aos nossos clientes o melhor apoio possível.

E os activos sob gestão em Portugal?

Estão 'flat' para nós. De acordo com a Lipper, até Junho, as sociedades gestoras estrangeiras, geriam 1,3 mil milhões, e como tinha referido, estamos em primeiro do ranking em termos de quota de mercado dentro desse montante; mas em termos de novos negócios, desde início do ano e até Julho, o saldo era negativo em 124 milhões. As categorias mais vendidas de sociedades gestoras estrangeiras são FEI de acções, 'global high yield', 'US high yield', 'emerging market debt' e 'euroland equities', nos primeiros sete meses deste ano. É um pouco diferente de Espanha e da Europa onde as obrigações têm dominado; em Portugal há uma componente de obrigações mas também uma pequena componente de acções. Registámos quatro produtos no regulador português, com estratégias diferentes; desde convertíveis, moedas asiáticas, grandes capitalizações, multi-activos. E estamos em processo de registo do fundo Schroder ISF Global MultiAsset Income.

E quais são os objectivos para o próximo ano?

De acordo com a Lipper estamos em primeiro lugar em termos de sociedades gestoras internacionais e o nosso objectivo é manter essa posição de liderança. Para tal, como disse antes, é necessário mantermo-nos próximos do mercado, das oportunidades que possam surgir e continuar a trazer novos produtos e soluções, que se ajustem às condições de mercado.

Em Portugal, desde início do ano, há mais subscrições que resgates nos fundos. Acredita ser um sinal que os investidores estão a regressar a este produto?

Precisamos ainda que os bancos avancem mais no processo de reparação dos seus balanços e que os fundos possam voltar a ocupar um lugar de  destaque. É um pouco o que aconteceu em Espanha... A diferença é que em Espanha, a indústria ainda continua a ter subscrições líquidas negativas. Em Portugal é um sinal positivo e é encorajador. Mas, por exemplo, olhando para os dados da Lipper, estes mostram que os 'players' estrangeiros estão a ter mais resgates que subscrições desde início do ano. Para haver um aumento nos activos sob gestão precisamos que os bancos, os distribuidores, passem a focar-se nos fundos em vez de produtos de balanço. Mas em Espanha acontece o mesmo. A maioria dos fundos é distribuída através dos bancos comerciais, portanto se os distribuidores estão focados em captar depósitos, por exemplo, não estão focados nos fundos. Mas é um sinal positivo.

Quais acredita serem os desafios mais relevantes para a indústria em Portugal?

Os desafios para a indústria doméstica são conseguir vender os produtos no exterior, como outros países conseguem; por exemplo em Espanha tem sido também um desafio. Há uma vontade de impulsionar os fundos no meio de todos os distribuidores, o que é importante, a par de algumas alterações regulatórias que podem afectar o negócio. Penso que a regulação é um desafio para todos. No último ano assistimos a uma proliferação de regulação, é interminável, é um desafio gerir toda esta regulação, também traz maiores custos, mas se no final tornar a indústria mais transparente, trazendo benefícios para o cliente final, temos que lidar com isso e acomodá-la.

Tanta regulação poderá travar o crescimento da indústria, o surgimento de novos 'players' no mercado?

A regulação é um desafio, porque temos que ver como nos adaptamos, e aqueles que se adaptarem mais rapidamente e melhor terão uma vantagem. Por exemplo analisando a DMIF II e a forma como irão ser classificados os produtos, em complexos e não complexos... existem diferentes possibilidades. E o mesmo com o facto da proibição das retrocessões, isso pode provocar mudanças significativas na indústria, evoluindo para um modelo baseado na cobrança por aconselhamento em vez dos das retrocessões. Portanto, estas regulações podem ter efeitos significativos em toda a indústria. Mas penso que é importante esperar até a versão final da lei seja publicada.

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