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Paid Tv may kill the Football Star


As assistências nos estádios de futebol em Portugal têm caído nas últimas épocas. Não só há menos espectadores nas bancadas, também reflexo de quedas na ordem dos 20% nas vendas de lugares anuais, como se nota algum desinteresse sobre o fenómeno desportivo em geral e pelo futebol em particular. A falta de transmissões em canal aberto pode estar a contribuir para o menor envolvimento com o desporto.

Há um conjunto muito diverso de factores que ajudam a explicar esta evolução. A crise económica é, logicamente, um "suspeito" fácil de apontar. Os que têm menos recursos optam por prescindir do futebol e mesmo os que mantêm o rendimento estão hoje menos susceptíveis a gastar em lazer. Neste domínio os clubes têm feito alguns esforços, nomeadamente na redução dos preços dos bilhetes ou através de promoções de vários tipos. Por exemplo, no Porto-Marítimo de há alguns dias, por oito euros era possível aos sócios assistirem ao jogo em qualquer bancada, mas isso não chegou para atrair o público, registando-se mais uma assistência abaixo da média histórica do estádio. Há também reporte, por parte de todos os clubes, de ausência sistemática quer dos sócios quer dos adeptos que inclusivamente já compraram bilhetes de época. Ou seja, nem os "clientes fidelizados" estão garantidos como espectadores.

A data e hora de muitos jogos, quase sempre invariavelmente à noite, afasta quem tem outros afazeres domésticos, interesses, compromissos sociais ou simplesmente não quer encarar o trânsito e o frio. E, claro está, há cada vez mais distracções e solicitações que colocam o futebol num plano secundário.

Mas, esta época, há um factor novo que pode ser um responsável importante pelo desinteresse que se sente sobre o futebol: a ausência de transmissões em canal aberto. É verdade que há já muitas épocas que a generalidade dos jogos passa em canal fechado, mas o facto de existirem transmissões em canal aberto permitia aumentar a notoriedade da Liga e o envolvimento entre os adeptos e simpatizantes e o futebol.

O exclusivo das transmissões em canais premium afasta a audiência e é provável que se esteja na presença de um fenómeno do tipo "Formula 1". Antigamente todos seguiam as corridas dominicais, conheciam os pilotos, os seus números, equipas e até as marcas de pneus. Hoje, em Portugal, o interesse pela F1 é residual uma vez que a modalidade se foi afastando do público. O mesmo acontece com a NBA, por exemplo. Claro que continua a haver uma massa adepta muito relevante, mas o futebol é um desporto de massas e só tem a perder caso se transforme num interesse de nicho.

A Liga de Clubes deve repensar a forma como negoceia os direitos de transmissão. Se marcas, personalidades e ideias têm necessidade de fazer product placement, a Liga deve reflectir sobre os custos indirectos de afastar os jogos de futebol do grande público. É toda a indústria que está em causa.

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