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Os trios de sucesso


Uma equipa composta por três profissionais e uma estratégia de investimento com três diferentes abordagens deu origem a uma entidade gestora cujas valências a levou a passar no escrutínio da IAM Investments, que a representa. Precisamente esta plataforma de fundos de investimento trouxe a Portugal um dos membros dessa equipa, numa das raras vezes em que algum dos três tira as mãos dos controlos do fundo Anavio Capital Event Driven. O profissional em questão chama-se Daniel Horsley, porfolio manager e um dos fundadores da Anavio Capital. Em entrevista à Funds People revelou os pormenores que fazem do seu fundo uma estratégia diferente.

David horsley, Anavio“Um dos principais factores que nos diferencia dos demais é que nós temos um processo muito mais ponderado e uma proximidade muito mais construtiva com os bancos e as empresas. Por exemplo, a maior parte dos nossos pares investe num IPO para vender a participação no primeiro minuto ou dia de cotação. Nós, abrimos o diálogo com as empresas e os bancos três ou quatro meses antes da operação e falamos com os envolvidos no processo sobre todos os pormenores da operação. Esta proximidade resulta das relações de confiança que o meu colega Dario Sacchetti construiu depois de 15 anos na Goldman Sachs, relações essas que desenvolvemos mais além todos os dias”, explica Daniel Horsley.

Com esta proximidade os três membros da equipa desenvolvem uma estratégia tri-partida. São “três estratégias numa única carteira”, como os próprios definem. Enquanto cada um é responsável por cada uma das estratégias, todo o processo envolve a participação dos três e como a sociedade está igualmente repartida, os interesses estão completamente alinhados.

Emiliano Leggieri, CIO na entidade, lidera o segmento arbitrage do fundo focando em estratégias de arbitragem tanto em fusões e aquisições, como entre a estrutura de capital na relação de empresas holding com as suas subsidiárias. Daniel Horsley tem a seu cargo o segmento de special situations. Aqui, Daniel foca em spin-offs, pre-anúncios de M&A, mudanças de equipa de gestão ou arbitragem dentro da própria estrutura de capital, entre outros. Por fim, a responsabilidade do segmento de capital markets recai sobre Dario Sacchetti, o CEO da Anavio e o especialista em novas emissões de equity ou obrigações convertíveis, ou vendas de blocos em mercado secundário.

Processo longo

Daniel Horsley define o processo como “muito longo e pesado”. Assim é porque não só frequentam as reuniões e apresentações de analistas, como visitam e são visitados pelas empresas e pelos bancos. “Damos imenso feedback e somos muito inquisitivos acerca de todos os pormenores das valuations das empresas. Construímos uma excelente reputação no processo e agimos sempre de uma forma responsável”, assegura.

Resultado de como o processo está definido é o enviesamento dos investimentos para Europa, dada a proximidade, mas o universo de investimento é global. Sendo um fundo UCITS o portefólio é extremamente líquido e apesar de uma alavancagem próxima das duas vezes a utilização de produtos financeiros derivados para cobertura do risco é sistemática. “Compramos muita proteção contra a volatilidade para a carteira. Calls sobre o VIX, puts sobre o índice... Nunca sabemos o que o futuro nos reserva e como temos uma carteira alavancada achamos adequado gastar mensalmente 10 ou 15 pontos base em ‘proteção’”, explana.

Ações VS Obrigações

Embora o fundo possa investir até 40% da exposição bruta em obrigações, a posição atual é muito mais residual porque “se tivermos uma visão relativa do mundo, como temos, as obrigações são a classe de ativos mais cara no momento”. No entanto, o especialista aponta duas situações em que as obrigações encaixam melhor no portefólio:

  • “Num processo de aquisição, o investimento nas obrigações na expectativa de que o processo será executado poderá proporcionar uma menor rentabilidade, mas as perdas serão muito menores no caso de a aquisição não se realizar”.
  • “Quando uma empresa emite obrigações e equity ao mesmo tempo, numa grande aquisição ou fusão, o investimento mais sénior na estrutura de capital poderá ser mais atraente, seja porque consideramos que o negócio será mais positivo para o crédito do que para o equity, seja por uma questão de valuations”.

Concentração

Em comparação com os seus pares no segmento Event Driven, o fundo da Anavio apresenta-se como muito menos concentrado. “O nosso limite é de 10% em cada nome individual, mas auto impomos que não podemos perder mais de 2% em cada negócio, pelo que modelizamos as perdas potenciais para adequar o investimento ao universo da carteira”.

Deste modo Daniel Horsley destaca uma rentabilidade cumulativa desde o lançamento do fundo que quase atinge os 27,8%. Em termos anualizado, falamos de 14,29% com uma volatilidade de apenas 4,93%, uma relação rentabilidade/risco invejável.

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