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Os três riscos a ter em conta no segundo semestre na óptica do Banco Privado Atlântico Europa


À entrada dos últimos seis meses do ano, procurámos saber quais as perspetivas das entidades nacionais para o segundo semestre. Para a equipa de gestão do Banco Privado Atlântico Europa, o contexto macroeconómico deverá continuar positivo nas várias geografias, embora existam riscos que deverão ser acompanhados de perto. 

No que diz respeito às perspetivas para os Estados Unidos, a equipa destaca que a economia se encontra "numa fase avançada do ciclo económico, com o crescimento a rondar os 3% até final do ano, e a inflação próxima dos 2% (valor a partir do qual a Reserva Federal começa a ficar preocupada). Os resultados das empresas do S&P 500 continuam muito fortes, e há a expectativa de que assim continuem nos próximos trimestres. A FED continua com uma política ligeiramente acomoditícia, muito propícia à manutenção deste ciclo positivo de crescimento económico".

Quanto à Europa, apesar do Brexit e da força do Euro, as perspetivas são positivas. Esta visão tem por base não só "as boas perspectivas de crescimento económico (em grande parte devido à recuperação da economia e dos lucros), bem como da extensão do programa de QE do BCE, deverão manter os custos de financiamento a níveis baixos", mas também "dados macro bastante robustos (com o PIB a crescer em média 2,4% em 2018), tal como os lucros empresariais, com um aumento esperado de 11% em 2018". 

Ações são a classe de ativos favorita

No que respeita a ações e obrigações, a equipa mantém uma perspetiva mais positiva para o primeiro segmento. Em termos geográficos, a Europa surge como melhor posicionada, uma vez que "tem mostrado sinais de recuperação em termos de crescimento económico e de resultados empresariais, apresenta um desconto interessante vs EUA, e continua a beneficiar do programa de QE do BCE". Por outro lado, encontram-se ligeiramente positivos para os Estados Unidos, "devido ao crescimento dos lucros esperado para os próximos trimestres e apesar da expectativa de subida de taxas pela FED (são esperados mais 3 subidas até ao final deste ano)". Não obstante, "as valorizações (16,7x os resultados operacionais dos próximos 12 meses) estão ligeiramente acima da média histórica, havendo pouco espaço para surpreenderem pela positiva". 

Quanto aos mercados emergentes, a visão é bastante construtiva, tendo em conta "o aumento da actividade económica, o regresso ao crescimento dos lucros (após 4 anos de estagnação) ajudada por reformas estruturais, bem como o desconto de 28% destes mercados vs os mercados mundiais (MSCI World), fazendo destes mercados uma proposta de valor interessante". 

Nas obrigações, a visão é negativa, "especialmente quando comparada com acções". Justificam esta posição com "o baixo nível de taxas de juro (em relação à media histórica, bem como ao dividend yield dos mercados accionistas) e a duration elevada apontam para uma menor capacidade de geração de retorno futura, apesar do aumento do risco". Ainda assim, pela positiva destacam "o crescimento económico sustentado, a robustez dos balanços das principais empresas e as boas condições de financiamento estão a manter as taxas de incumprimento historicamente baixas nos mercados desenvolvidos (abaixo de 2%)". Em termos de segmento de investimento, mantêm "a preferência por High Yield na Europa e EUA, por oposição a obrigações soberanas, que deverão sofrer mais com a subida gradual de taxas. Nos mercados emergentes, as valorizações parecem genéricamente interessantes, assim como as taxas de juro de grande parte das emissões, especialmente em moeda local". 

Os três riscos a ter em conta

Em termos de riscos a monitorizar, a equipa acredita que o principal será a guerra comercial mundial, uma vez que poderá ter "consequências potencialmente elevadas para os mercados e para a economia mundial". Por outro lado, é necessário ter em conta a sustentabilidade do crescimento dos mercados emergentes, existindo a "probabilidade de outperformance destes mercados em relação aos desenvolvidos nos próximos trimestres". Por último, destacam as "consequências a retirada unilateral dos EUA do acordo com o Irão e o seu impacto no preço do petróleo". 

Fundos em destaque

Para os próximos trimestres, a equipa de gestão do Banco Privado Atlântico Europa destaca dois fundos em particular: o Amundi First Eagle, que acreditam ser "um bom fundo misto, com um longo histórico de performance e uma excelente gestão de drawdowns"; e o Old Mutual Global Equity Absolute Return Fund, "um fundo todo o terreno, com baixa volatilidade e correlação nula com acções e obrigações. Excelente relação risco retorno e com um histórico de quase 10 anos". 

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