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Os três fatores que vão determinar o teto da correção atual


Após oito dias seguidos de movimentos do mercado de 4%, já podemos confirmar que estamos perante uma das correções mais ferozes e mais rápidas desde a Grande Depressão (1929). Após uma queda tão violenta (e até durante) muitos investidores perguntam-se agora onde está o limite. Onde está o fim da correção.

Jeff Schulze, diretor de estratégia da Clearbridge (Legg Mason), não se aventura a marcar o fim, mas não descarta que seja daqui a pouco tempo. Nas grandes correções as quedas desde máximos rondaram os 32%. E já estamos nesse ponto. Mas o especialista também recorda que até durante a crise houve períodos de rally. Recorda que no último trimestre de 2008 o mercado americano subiu mais de 20%, para depois voltar a cair em março de 2009.

Com as coisas assim, só resta entender o porquê de as bolsas se estarem a mover desta forma. Schulze refere dois fatores. Primeiro, viemos de valorizações extremas, pelo que a correção inicial foi justificada. Mas isso deu lugar a uma crise de liquidez e, nos últimos dias, testemunhámos as consequências das vendas forçadas de alguns participantes do mercado.

O que precisa o mercado de ver para pôr um ponto final a este recuo?

  1. Visibilidade no tamanho e magnitude das ajudas fiscais

Ao contrário da crise de 2008, as ajudas desta inevitável recessão devem apontar para outra parte da economia: as pequenas e médias empresas. Schulze calcula que no mínimo, os Estados Unidos deverão anunciar uma injeção de 1,5 biliões de dólares se quiserem acalmar a ansiedade dos mercados.

E deste estímulo, o especialista procura um requisito essencial, seja dirigido aos pequenos negócios. “A minha verdadeira preocupação é que o dinheiro não chegue a tempo”, lamenta. “Porque a história não é um bom presságio de que assim seja. E são empresas que não dispõem dos três meses que tipicamente tardam em chegar estas ajudas”.

Várias empresas já alertaram para o massivo aumento no desemprego americano. A Goldman Sachs fala de dois milhões de novos desempregados na próxima semana. Dois milhões de americanos no desemprego. É um número sem precedentes que supera até a destruição do emprego de 2008. E não é um número irreal, opina Schulze, se tivermos em conta que 40% dos americanos trabalham em sectores afetados pelo desemprego, em resultado do impasse da economia por causa do coronavírus. E sobre isso é preciso ter em conta que os números não refletem a destruição do emprego da gig economy.

  1. Que o ritmo de crescimento das infeções por este vírus atinja o pico.
  2. Que o mercado reaja ao pôr um preço na crise económica inevitável.

O especialista calcula que isso poderá acontecer após uma queda de 40-45% desde o pico.

Com as coisas nestes termos, Schulze vê como inevitável uma recessão nos Estados Unidos no segundo trimestre. Não será necessariamente de longa duração, mas será severa. Também vê claramente que a recuperação não será em V, mas em U, dependendo das políticas que o governo adotar.

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