Os riscos e oportunidades de investir na China


Ashley Hsu é portfolio manager naMirae Asset Global Investments, uma entidade gestora fundada na Ásia, mas com escritórios espalhados pelo globo. A profissional tem à sua responsabilidade um fundo de ações chinesas e faz parte da equipa de research da Ásia Pacífico da entidade gestora. Nascida em Taiwan e tendo trabalhado vários anos a partir da Coreia do Sul a profissional dá nota do paralelismo que vê Ashley HSU Miraeentre a evolução económica da China continental e dos dois estados onde cresceu e viveu. “O tipo de ascensão da classe média que vimos há 20 anos em Taiwan e na Coreia do Sul é muito semelhante ao que estamos a ver na China. Isto ajuda muito numa perspetiva de stock picking, porque vejo na China um modelo provado nas outras economias”, comenta. No entanto, refere também que a dimensão do país é algo que faz com que qualquer pequena evolução da sua economia impacte o equilíbrio mundial. “Algumas cidades chinesas só por si têm um PIB equivalente a economias de países europeus. A Suíça, por exemplo, tem um PIB equivalente à cidade chinesa de Guangzhou. É curioso perceber o quão grande a China é e, mais importante, que está a crescer mais rápido do que a Europa”, expõe.

Políticas do governo geram oportunidades

A profissional aponta também que o investimento na China é muito dirigido pelas políticas do governo. “O governo tem sempre em prática um plano de cinco anos orientado para levar o país para o nível seguinte e depois de ler o white paper de 200 páginas com os detalhes desse plano surgem algumas oportunidades de investimento”. Deste modo, Ashley Hsu destaca as seguintes:

- Reforma estrutural económica a nível macro: “O governo quer construir um sistema económico moderno. Uma divergência ‘plain vanilla’ daquela que era uma economia de produção industrial para exportação, para um economia dirigida pelo consumo.”

- Reforma do lado da oferta materializada em cortes fiscais: “O governo quer efetivamente impulsionar e aumentar o desenvolvimento do sector tecnológico. Internet, novos materiais, semicondutores ou 5G, fazem parte deste plano e o governo está a ajudar muitas empresas através de subsídios ou cortes de impostos”.

- Abertura ao exterior: “Reformas ao nível do sistema fiscal e da abertura do país ao investimento estrangeiro”.

“Ao longo dos últimos 40 anos a China ultrapassou diversas reformas em que cada uma lhe permitiu ascender ao nível seguinte. Nos anos 80 com a reforma agrícola, nos anos 90 com a reforma financeira ou nos anos 2000, com a adesão à WTO. Desta vez, com todos os projectos em curso, achamos que a China se vai posicionar com uma maior abertura. Contudo, considerando que a economia é já tão grande, acreditamos também que as reformas serão muito mais táticas”, explica a portfolio manager.

Riscos moderados e timming de entrada

Nem só de oportunidades vive o mercado chinês. Ashley Hsu realça também alguns riscos que, no entanto, parecem controlados. “A alavancagem era o grande tema até ao ano passado. Mas vimos a liquidez a aumentar e isso afastou as preocupações do mercado. Contudo, a guerra comercial existe e é o tema do momento. Esta tem tido um impacto nos indicadores PMI e as decisões de investimento por parte das empresas estancaram. O mercado estava já a refletir no preço a possibilidade de um novo acordo, o que acabou por acontecer. De uma perspetiva da gestão de carteiras, os indicadores PMI são efetivamente aqueles que o mercado considera mais relevantes. É efetivamente a locomotiva que dirige os mercados”, comenta a gestora. No final do ano passado, Ahsley Hsu realça que os PMI vinham a cair todos os meses, ultrapassando inclusive a barreira dos 50. Desde então, voltaram a uma tendência de subida que o mercado acompanhou. “Como resultado disso vimos o mercado a disparar 30%. Daqui em diante é importante olhar para as diferentes componentes dos indicadores e o que vemos é que apesar das novas encomendas de exportação têm vindo a recuar, muito embora o indicador geral de novas encomendas se mantenha resiliente. Isto significa que a procura doméstica se mantém robusta”, explica a profissional.

Por fim, a gestora partilha também algumas considerações relativamente ao timming de entrada no mercado. “Considerando que a produção estancou como resultado das guerras comerciais, será de esperar que até ao final do terceiro trimestre os inventários sejam escoados e se espere um reforço dos mesmos, com o consequente impacto nos indicadores PMI de confiança industrial”. Assim, Ashley aponta o final do terceiro trimestre ou início do quarto como um  bom ponto de entrada no mercado chinês.

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