Os quatro grandes movimentos que os planos de pensões europeus estão a fazer nas suas carteiras


Conseguir rentabilidade a curto prazo num contexto de aumento de incerteza em torno da economia e com uma volatilidade do mercado in crescendo é complicado. Mas também é difícil encontrar essa rentabilidade no caso dos investidores que contem com horizontes de investimento de médio e longo prazo. De facto, as gestoras de ativos não têm feito outra coisa senão baixar as suas previsões de rentabilidade para os diferentes ativos tradicionais face aos próximos anos nos quais se prevê que as políticas acomodatícias dos bancos centrais continuem a pressionar a descida das rentabilidades dos ativos de obrigações enquanto as crises geopolíticas continuarem a aumentar a volatilidade no mercado de ações.

Face a este complicado panorama, os planos de pensões foram modificando as suas carteiras para tentar maximizar essas rentabilidades, que cada vez são mais complicadas de alcançar, e algumas dessas tendências são as que se refletem no último inquérito sobre planos de pensões europeus publicado pela Mercer ao qual responderam 876 investidores institucionais de 12 países com ativos sob gestão que ascendem a um bilião de euros.

Menos ações e mais obrigações

Uma das conclusões que talvez surpreenda é que até num contexto de taxas a 0% os planos de pensões europeus continuaram a baixar a sua exposição às ações para aumentar a exposição a obrigações. Em concreto, a alocação a ações caiu de 28% para 25% enquanto a alocação a obrigações aumentou de 51 para 53%.

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Maior viés local em obrigações do que em ações

No inquérito também se diferencia o domicílio das posições dos planos de pensões e pode-se perceber que esse viés local no qual costumam incorrer tanto investidores particulares como institucionais, é mais pronunciado no que diz respeito ao mercado de obrigações do que no de ações. Em concreto, enquanto a média é que os planos de pensões europeus invistam 12% em ações do seu próprio país, no que diz respeito a ações essa percentagem aumenta para níveis de 53% no caso da dívida pública do próprio país e 28% no que diz respeito à dívida corporativa nacional, o que implica que 81% da carteira de obrigações conta com um viés local.

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Mais coberturas para controlar o risco

Além das mudanças que aconteceram relativamente à alocação de ativos, há outra tendência que vem refletir esse aumento de incerteza que enfrentam os gestores de ativos: a necessidade crescente de reduzir o risco nas suas carteiras e limitar o impacto que os diferentes eventos de mercado podem ter nelas. Ao fim e ao cabo, o objetivo de toda a carteira, principalmente na dos planos de pensões é preservar o capital e essa tarefa já não é tão fácil de conseguir como era no passado. Por isso o rácio médio de planos de pensões que aplicam coberturas nas suas carteiras elevou-se a níveis de 76% face aos 69% de há um ano.

“Este ano vimos um grande aumento nos planos que comunicaram que utilizam swaps sobre as taxas de juro, a inflação e as obrigações governamentais. Uma das razões pode ser o aumento de coberturas que se viu, com cada vez mais planos de pensões a usar para gerir os riscos associados às taxas de juro a curto prazo e à inflação”, referem no relatório.

O segmento de alternativos continua a aumentar, mas não em todos

Por último, também se continua a observar um aumento de interesse por parte dos planos de pensões em direção aos chamados alternativos. De facto, segundo o estudo da Mercer já representam 18% da ponderação das suas carteiras, um ponto percentual a mais do que há apenas um ano.

Não obstante, nem todas as estratégias alternativas ganharam este tipo de investidores nos últimos doze meses. Apesar da estratégia multiativos continuar a ser a que tem uma maior presença no que diz respeito à alocação da carteira (pesa 20%), as estratégias que ganharam mais investidores no último ano são as dos ativos reais e as dos hedge funds. Em concreto, 49% dos planos de pensões têm já exposição a ativos reais e 42% a hedge funds, 4% e 6% a mais do que no ano passado. No que diz respeito às subcategorias dentro destas estratégias, as que mais procura recebem no primeiro caso é a que se refere ao investimento imobiliário, enquanto no caso dos hedge funds, a via mais recorrente para aceder a esta estratégia é a dos fundos de fundos de terceiros.

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